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IRAQUE: Ataques da Turquia estão a lançar o pânico entre os cristãos no norte do país, afirma Cardeal Louis Sako

1 julho 2020
IRAQUE: Ataques da Turquia estão a lançar o pânico entre os cristãos no norte do país, afirma Cardeal Louis Sako
A região do chamado Curdistão iraquiano, no norte do país, onde vivem muitas comunidades cristãs, está a ser palco desde há algumas semanas de uma operação militar conduzida pela Turquia contra alvos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, que Ankara considera uma organização terrorista.

Essa região do Iraque foi alvo, inclusivamente, de bombardeamentos por parte da aviação turca. Em declarações ao portal de notícias do Vaticano, o Cardeal Louis Sako refere a situação extremamente delicada em que se encontram as famílias cristãs que vivem no Curdistão. Apesar de não serem o alvo do ataque dos soldados turcos, os cristãos estão a sofrer directamente o impacto desta operação militar.

“Os últimos ataques – D. Louis Sako referia-se ao domingo, dia 21 de Junho – atingiram uma área maior e alguns vilarejos, incluindo os cristãos, foram bombardeados. Pelo menos 10 civis já morreram. Eu não sei se há cristãos entre as vítimas. Mas devemos lembrar que cidadãos iraquianos morreram. Também foi bombardeado um cemitério caldeu cristão.”

Por causa da operação militar em larga escala lançada pelo governo de Ankara, as populações que vivem no Curdistão iraquiano estão naturalmente assustadas. Na memória de todos está ainda a invasão da região por parte dos jihadistas do Daesh, o Estado Islâmico.

“É uma população que já sofreu muito, já foi deslocada e teve que fugir”, reconhece ao Vatican News o Patriarca Caldeu. “E isso aconteceu muitas vezes e não apenas no período ligado ao chamado Estado Islâmico. Há vários anos nesta região não há estabilidade duradoura. Agora, as pessoas das aldeias afectadas pelos ataques foram deslocadas novamente. Estes são problemas que se arrastam há anos. Mas devem ser resolvidos com um diálogo sério e não pela via militar.”

A agravar este cenário, já de si tão duro, há ainda uma crise económica sem fim à vista no Iraque. “Não há economia”, diz o Cardeal Sako, numa síntese brutal sobre a vida no país. Sem economia, com vastas regiões ainda atormentadas pela guerra e pelo fantasma do terrorismo, o Iraque tem de lidar também com as consequências do coronavírus.

“Por causa da pandemia, o número de pessoas infectadas está a aumentar. Há escassez de médicos e medicamentos. Não há dinheiro. Há grupos e partidos políticos que se aproveitam da situação há 17 anos: os recursos foram roubados. O futuro do Iraque não está claro. Mas esperamos que, com o novo governo, sejam tomadas as medidas certas.”

De facto, a ameaça do coronavírus não pode ser de todo desvalorizada. Ainda no início de Junho, o Cardeal Louis Sako lançava um apelo através da Fundação AIS para que os cristãos possam ficar em casa sempre que possível, pois os hospitais e centros de saúde iraquianos já estavam quase em colapso.

“A situação está a piorar e não é possível controlar” a proliferação do vírus, disse D. Sako à Fundação AIS. A falta de infraestruturas hospitalares, combinada com a quase ausência de apoios ao nível de segurança social, a corrupção e o desemprego, estão a colocar a comunidade cristã numa situação particularmente grave.

A maior preocupação das autoridades prende-se com a evolução da pandemia nas grandes cidades, nomeadamente na capital, Bagdade. Na região semi-autónoma do Curdistão iraquiano, onde vive uma considerável comunidade cristã e que agora tem sido palco dos ataques da aviação turca, já foram relatados mais de 500 casos de pessoas com o coronavírus e pelo menos cinco mortes.

A Igreja Católica está mobilizada no apoio às populações através das paróquias, distribuindo ajuda de emergência a todos, independentemente da religião que possam professar. Em Abril, a Fundação AIS anunciou a criação, a nível internacional, de um fundo de emergências de cinco milhões de euros para ajudar sacerdotes e irmãs que prestam assistência às comunidades mais vulneráveis afectadas pelo coronavírus.

Este fundo tem vindo a materializar-se no apoio a projectos concretos em vários países situados no Médio Oriente, como é o caso do Iraque, mas também na Europa Central e de Leste, América Latina, Ásia e África.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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