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LÍBANO: “Chocou-me ver tantas famílias que já não conseguem dar de comer aos filhos”, diz directora da AIS após viagem a Beirute

8 abril 2022
LÍBANO: “Chocou-me ver tantas famílias que já não conseguem dar de comer aos filhos”, diz directora da AIS após viagem a Beirute
“O que mais me chocou foi o desespero das pessoas. Tantas famílias que caíram na pobreza, tantas famílias que já não conseguem dar de comer aos seus filhos sem a ajuda da Igreja ou de instituições de solidariedade.” As palavras são da directora da Fundação AIS em Portugal, após uma visita de quatro dias ao Líbano.

“O país está como que completamente destruído, em colapso. É o falhanço do Estado nos seus pilares essenciais. As pessoas já não conseguem pagar as suas despesas, as suas dívidas”, diz Catarina Martins de Bettencourt, procurando fazer um retrato do Líbano, que atravessa desde há dois anos uma das mais profundas crises da sua história com o colapso do sistema bancário, com uma inflação elevadíssima que reduziu quase a cinzas as poupanças das famílias. O resultado, diz a responsável do secretariado português da Ajuda à Igreja que Sofre, “é brutal”. “As pessoas estão desesperadas, estão sem esperança”, acrescenta.

Durante a viagem, que levou a equipa da Fundação AIS não só à capital libanesa mas também ao Vale Sagrado, na zona noroeste do país, e a Deir Al-Qhmar, junto à fronteira com a Síria, foi possível escutar os lamentos dos que passaram a precisar de ajuda para sobreviver no dia-a-dia. “Todas as pessoas com quem nos encontrámos deram-nos a visão de um país que colapsou. São pessoas que já não têm recursos para viver dignamente”, conta Catarina Bettencourt, procurando dar exemplos de como o quotidiano se transformou por completo para a esmagadora maioria da população. “As pessoas não têm como ir, por exemplo, ao hospital, mesmo que estejam doentes. Não têm como pagar as contas… Só há electricidade durante duas horas por dia. Por causa disso, houve quem tivesse comprado um gerador, mas, agora, não têm dinheiro para o combustível…”

Uma das consequências mais dramáticas da crise é a fuga das populações. “Todos os dias saem pessoas do Líbano”, explica a directora da Fundação AIS. “Isto é extremamente grave. Podemos dizer que a comunidade cristã está de saída. O Líbano é ainda o último país com uma grande comunidade cristã no Médio Oriente, cerca de 20 a 30 por cento da população, mas se as coisas continuarem assim, o futuro vai ser muito, muito difícil. Estamos a assistir mesmo ao esvaziar da presença cristã nesta região do globo.”

Em resultado desta visita, em que Catarina Martins de Bettencourt esteve acompanhada por directores de outros secretariados nacionais, foi decidido reforçar o compromisso da Fundação AIS para com a Igreja local no apoio às comunidades cristãs, nomeadamente nas áreas da saúde e educação mas também no apoio social para a distribuição de cabazes alimentares, medicamentos e outros bens de primeira necessidade que se tornaram proibitivos para a maioria da população. “O Líbano vai precisar muito da nossa ajuda”, diz, em síntese, Catarina Bettencourt, lembrando que escutou em quase todos os locais por onde andou sempre a mesma expressão de súplica: “Por favor, não nos abandonem, por favor, não nos deixem sós”…

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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