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MOÇAMBIQUE: “Estamos a ser atacados”, é o grito de socorro dos cristãos de Pemba face à violência terrorista

20 abril 2020
MOÇAMBIQUE: “Estamos a ser atacados”, é o grito de socorro dos cristãos de Pemba face à violência terrorista
“Estamos a ser atacados”, dizem os cristãos da diocese de Pemba, província de Cabo Delgado, em mensagem de alerta e pedido de socorro enviada para a Fundação AIS face à violência crescente por parte de grupos terroristas.

Na mensagem enviada para a Fundação AIS pela Pastoral de Comunicação da Diocese de Pemba, os cristãos desta região situada no norte de Moçambique falam num sentimento de tristeza e de revolta. “Temos sofrido há três anos sem saber porque estamos a ser atacados… Há três anos tudo mudou nas nossas vidas. Choramos de tristeza. Vivemos fugindo sem saber para onde.”

Desde que estes ataques tiveram início, contabilizaram-se já cerca de 500 mortos e mais de 200 mil deslocados. A onda de violência parece imparável, havendo relatos sistemáticos de aldeias destruídas, pessoas decapitadas, infraestruturas arrasadas.

O ataque durante a Semana Santa à missão católica de Nangololo, com a igreja centenária a ser alvo de destruição, e depois as palavras de alerta do Papa Francisco para “a crise humanitária em Cabo Delgado”, no domingo de Páscoa, colocaram esta região de África nos holofotes mediáticos.

O Bispo de Pemba, D. Luiz Fernando Lisboa, comentou para a Fundação AIS as palavras do Papa proferidas durante a Benção Urbi et Orbi.

Na mensagem agora enviada para a Fundação AIS em Lisboa, os cristãos de Pemba recordam que “Moçambique é uma terra de um povo feliz”. “Mesmo nas dificuldades traz sempre nos lábios um sorriso. Levamos uma vida simples… temos as mãos calejadas dos trabalhos diários nas machambas e nas actividades da casa…” Uma mensagem em que se refere também a proximidade para com o bispo. “Para nós, sempre foi uma alegria receber nosso bispo diocesano, D. Luiz Fernando Lisboa…”

Os últimos ataques que sobressaltaram a região norte de Moçambique têm sido reivindicados pelos Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, e são cada vez mais os observadores que olham com preocupação para esta situação.

O ataque durante a Semana Santa à missão católica de Nangololo está a ser visto com apreensão pela comunidade cristã, pois pode ser visto como uma intimidação, sinal de que as igrejas passaram a estar também na mira dos grupos armados. O próprio Bispo de Pemba já o tinha referido em entrevista ao telefone com a Fundação AIS. “Isso, simbolicamente, quer dizer alguma coisa.”

O investigador Sérgio Chichava, autor do relatório “Quem é o inimigo que ataca Cabo Delgado? Breve apresentação das hipóteses do Governo moçambicano”, afirmou na semana passada, citado pela DW, que há “evidências no terreno [que] mostram claramente que o país está perante a presença de um grupo radical islâmico”.

O pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos de Moçambique sublinhou que os recentes ataques ocorridos na região “deixam poucas dúvidas da ligação” com os jihadistas do “Estado Islâmico”, o que “deita por terra a tese de que se trata de atacantes sem rosto nem mensagem”. Ou seja, para este académico, a ameaça terrorista é real e o norte de Moçambique está a enfrentar um grupo radical que pretende “impor a sharia” na região.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Total de 1 Comentário(s)
Antonio Ughetto
Uma tristeza invade o meu coração,Sou Moçambicano de nascimento, terra dos meus antepassados e dos meus filhos. Custa ver esse flagêlo, doi-me a alma, não vejo razão para atacarem as populações que só querem viver em harmonia e paz. São guerras absurdas só dor e destruição. É triste e doloroso.
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