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MOÇAMBIQUE: “Estão a fazer isso como ofensa para os cristãos”, diz padre de Nangologo, após ataque à missão

23 novembro 2020
MOÇAMBIQUE: “Estão a fazer isso como ofensa para os cristãos”, diz padre de Nangologo, após ataque à missão
“Ainda estou em estado de choque. Eu sabia que tudo estava destruído mas uma coisa é você saber sem ver…”, relata o Padre Edegard Silva ao telefone com a Fundação AIS, depois ter visto as primeiras fotografias da missão de Nangologo após o ataque terrorista. “Você ver, de uma hora para a outra, tudo isso queimado… fiquei em estado de choque e, humanamente falando, chorei muito. Chorei muito ao ver tudo aquilo.”

Edegard Silva, missionário saletino, era o responsável pela missão católica de Nangologo que foi atacada, ocupada e destruída pelos grupos armados que estão a espalhar terror e morte na província de Cabo Delgado, em Moçambique.

Este foi o segundo ataque à missão de Nangololo, em Muidumbe. O primeiro, foi em Abril, tal como a Fundação AIS então noticiou. Mas, agora, foi muito mais violento. “É um ataque, posso dizer assim, de uma proporção muito maior do que em Abril”, explica o padre.

“Esse ataque agora, acabou com tudo! Para ter uma ideia, como eu saí rápido de lá, tudo [o que era] meu de três anos, coisa que eu trouxe da minha história de 34 anos de padre, foi tudo, tudo destruído. Tudo virou cinza. Todos os livros da secretaria, de baptismo, de casamento, de crisma, livros de [uma] história de 100 anos da paróquia, foi tudo destruído. Tudo. Eles foram muito violentos desta vez…”

A missão de Nangologo, a segunda mais antiga da Diocese de Pemba, foi atacada a 30 de Outubro e esteve nas mãos dos terroristas até 19 de Novembro. Só agora, aos poucos, é que se começa a perceber a amplitude da destruição.

Ao telefone com a Fundação AIS em Lisboa, o Padre Edegard, brasileiro, tenta encontrar razões que expliquem toda esta violência. As questões económicas e o fundamentalismo religioso ajudarão a compreender este surto de terrorismo no norte de Moçambique que procurará também “destruir o símbolo cristão”.

O missionário brasileiro, presente em Moçambique desde há três anos, dá exemplos. “Destruíram a cruz, uma cruz que é histórica lá para o povo, destruíram o pequeno santuário com a imagem de Nossa Senhora de Fátima… dá para parecer que estão mesmo fazendo isso como uma ofensa para os cristãos. “

Claro que, diz também o sacerdote, “isso é [apenas] uma das hipóteses, não é a única”. E acrescenta: “Se a gente assumir só o fundamentalismo religioso, [então] vai camuflar e esconder um dos motivos fortíssimos que é essa questão da riqueza dessa região, com o gás, o petróleo, a madeira, a grafite… Claro que essa questão económica também está por trás.”

Os deslocados de Nangololo, da região de Muidumbe, estão praticamente todos em Pemba. A palavra de ordem, agora, é reunir a comunidade.
“D. Luiz [Fernando Lisboa, Bispo de Pemba] pede agora para que cada pároco tente reunir o povo onde puder”, explica o missionário saletino, da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora da Salette. “Então, ontem [domingo, dia 22 de Novembro] eu dei aviso pelo celular [telemóvel] a quatro pessoas que queria encontrar-me com um pequeno grupo para planear.”

E reuniram cerca de 200 pessoas… “São só pessoas da paróquia de Muidumbe, que estão em Pemba. Reunimos com dois objectivos: falar do cadastro [registo] que todo o mundo deve fazer junto ao governo e qual o dia e o horário e o local que queriam para a missa. Então, escolheram domingo, às oito horas, e preferem como local a casa das irmãs pastorelas.”

Desta reunião informal ficou decidido que a comunidade afastada da sua terra por causa do terrorismo vai passar a reunir-se aos domingos “debaixo de um cajueiro”, uma árvore de algum porte. “Nós vamos fazer a missa só com o povo de Muidumbe”, diz ainda o Padre Edegard. E vai ser assim com as outras paróquias, as outras comunidades também deslocadas. “Cada pároco, agora, vai reunindo o povo que puder nos lugares onde eles estão…”

A missão de Nangololo, a segunda mais antiga da Diocese, foi fundada pelos padres monfortinhos no ano de 1924, e tem 24 comunidades essencialmente rurais. Nesta região conhecida como o Planalto do Povo Maconde, já passaram várias congregações religiosas, os Capuchinhos, as Irmãs Missionárias da Consolata, os padres e irmãs diocesanos e desde 2017, os Missionários Saletinos.

O papel da Igreja tem sido essencial na promoção das populações, tendo os missionários edificado por ali algumas escolas – antes dos ataques, estavam matriculados cerca de 3 mil alunos –, uma creche, com 80 crianças, um Centro de Formação, Ambulatório Dentário, a casa dos padres, a casa das irmãs, uma rádio comunitária e ainda, entre outros projectos, um poço para fornecimento de água à comunidade.

ACN Portugal · “Estão a fazer isso como ofensa para os cristãos” | Padre Edegard Silva Júnior


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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