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MOÇAMBIQUE: “Situação já era calamitosa, hoje não sei como classificar” diz Bispo de Pemba face aos deslocados de Cabo Delgado

22 outubro 2020
MOÇAMBIQUE: “Situação já era calamitosa, hoje não sei como classificar” diz Bispo de Pemba face aos deslocados de Cabo Delgado
Nos últimos dias, especialmente desde o final da semana passada, tem havido um aumento significativo do número de pessoas em fuga dos grupos armados que continuam a espalhar violência e morte na província de Cabo Delgado, nomeadamente na região de Macomia.

Ontem, quarta-feira, dia 21, o Bispo de Pemba, D. Luiz Lisboa, e o Bispo de Lichinga, D. Anastásio Canira, testemunharam a chegada em massa de deslocados ao bairro de Paquitequete, o principal ponto de desembarque dos deslocados na cidade capital de Cabo Delgado.

D. Luiz Lisboa reconheceu estarem a chegar “inúmeros barcos”. Só no dia de ontem foram pelo menos oito e vinham sobrelotados. “A situação já era calamitosa e hoje não sei como classificar…”, disse ainda o prelado, numa mensagem divulgada pela Diocese de Pemba em que apelava à solidariedade de todos.

Por seu turno, o Bispo de Lichinga afirmou-se “muito impressionado” com a situação, que referiu ser “muito traumática” e que “ultrapassa as capacidades humanas para acolher toda a multidão que está a fugir…”

Esta é uma realidade que se vem repetindo nos últimos tempos. O Padre Fonseca Kwiriwi, um dos responsáveis pela comunicação da Diocese de Pemba, afirma, à Fundação AIS, que “as coisas continuam feias” na região, e que “cresce cada vez mais” o número de deslocados que procuram acolhimento junto dos principais centros urbanos.

De facto, a cidade de Pemba transformou-se num desses portos de abrigo. Barcos sobrelotados, normalmente com mulheres e crianças, têm chegado a esta cidade costeira agravando uma situação já muito frágil do ponto de vista humanitário.

Há pessoas que têm chegado a Pemba “em péssimas condições”, descreve o sacerdote explicando que, num dos grupos de deslocados, registou-se o caso dramático de “uma mulher que deu à luz na praia depois de desembarcar de um barco com muita gente…”

São pessoas em fuga dos constantes ataques que continuam a afligir a região de Cabo Delgado apesar do esforço das autoridades no combate aos “insurgentes”, como localmente são conhecidos os grupos armados que reivindicam pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico.

“A região costeira de Macomia sofreu nesses dias alguns ataques, sim…”, explicou, ao telefone, o Padre Fonseca. De facto, apurou a Fundação AIS, há relatos de incidentes em Mucoio, Guludo, Naude, Pangane e Magaje, entre outras localidades.

Ao contrário do que aconteceu por exemplo em Agosto, quando os terroristas atacaram o ocuparam a zona portuária da cidade de Mocímboa da Praia, desta vez a táctica é diferente.

Agora, explica o sacerdote da Diocese de Pemba, “não se fala de conquista, fala-se só de ataques e não ocupação total como haviam feito em Mocímboa da Praia”. O Padre Kwiriwi Fonseca diz que “são só ataques e eles fogem”. “Acredito haver agora bastante presença das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique. Por isso eles só atacam e fogem…”

E provocam também a fuga das populações. Desde sábado passado, dia 17 de Outubro, calcula-se que cerca de 3 mil pessoas terão fugido de suas casas, perdendo tudo o que tinham, por causa desses ataques dos grupos armados.

“Nós tínhamos 250 mil deslocados mas agora são mais de 300 mil deslocados”, diz o Padre Fonseca à Fundação AIS. “Ou seja, está cada vez mais em crescendo.” Perante esta situação, houve a necessidade de mobilização de meios para o acolhimento destas pessoas.

“Houve já a definição de uma aldeia, uma espécie de assentamento para todos aqueles que estão nos enormes acampamentos de Metuje perto de Pemba”, explica o responsável de comunicação da Diocese. “Por estes dias – acrescenta –, a Caritas está no terreno fazendo a distribuição de alimentos. Essa notícia já é oficial: a Caritas está no terreno fazendo a distribuição enquanto o governo já providenciou lugar de alojamento definitivo para que essas pessoas já terem as suas próprias casas.”

Perante o aumento no número de deslocados, torna-se cada vez mais urgente mobilizar recursos para a Diocese ter também meios para socorrer com um mínimo de eficácia tantas pessoas de mãos vazias.

O Padre Fonseca deixa, por isso, um apelo à Fundação AIS. “Na medida em que aumenta o número de deslocados aumentam as necessidades. A campanha está aí circulando e alguns benfeitores estão com certeza a responder positivamente mas a Igreja continua ainda com necessidades e está de braços abertos para qualquer um que queira canalizar ajuda para a Diocese de Pemba por meio da Caritas Diocesana.”

De facto, a Fundação AIS está a promover uma grande campanha de ajuda para a Diocese de Pemba. Uma campanha que está a decorrer no nosso país, com uma assinalável adesão dos benfeitores portugueses mas também a nível internacional com o envolvimento activo de diversos secretariados, nomeadamente o do Reino Unido.



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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