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MOÇAMBIQUE: Ataques armados provocam encerramento de várias missões católicas em Cabo Delgado

28 outubro 2020
MOÇAMBIQUE: Ataques armados provocam encerramento de várias missões católicas em Cabo Delgado
O encerramento provisório de várias missões da Igreja Católica na província de Cabo Delgado é uma das consequências directas do clima de insegurança que se vive nesta região onde, desde Outubro de 2017, têm sucedido ataques violentos por grupos terroristas.

O Padre Kwiriwi Fonseca, um dos responsáveis da comunicação da Diocese de Pemba, explica à Fundação AIS que, “só para se ter noção, só tem permanência de padre em Mueda, onde está relativamente seguro”. “No resto” da região, acrescenta este sacerdote, “[os padres e as religiosas] estão fora da área de trabalho, da área de missão”.

O Padre Edegard Silva Júnior, missionário Saletino em Muidumbe, na Diocese de Pemba, publicou na ‘newsletter’ das Pontifícias Obras Missionárias um artigo sobre a situação em Cabo Delgado em que refere esta realidade.

Nesse texto, com data de 31 de Agosto, o Padre Edegard explica que, como consequência do ambiente de terror que se está a viver na região norte de Moçambique, foi decidido chamar para a “sede da Diocese os agentes da Pastoral” que se encontravam colocados em zonas onde têm ocorrido ataques ou onde a insegurança é mais elevada.

Em Junho, os missionários escreveram mesmo uma mensagem às comunidades a explicar a necessidade de terem de abandonar os locais onde estavam colocados. Uma carta onde manifestam a “esperança de em breve” poderem regressar, pedindo as orações de todos para que o ambiente de violência termine de vez e permita que “todos possam voltar aos seus trabalhos e celebrações”.

Nessa carta, os “missionários e missionárias” afirmam ainda que rezam “diariamente por todas as pessoas e comunidades”, e que sentem “muitas saudades” da vida comunitária, desejando que este tempo de violência termine “para voltarmos a servir a todos, como sempre fizemos”.

Tem havido muitos ataques extremamente violentos na província de Cabo Delgado por grupos armados que reivindicam pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico. Foi o caso ocorrido em Auasse, a 12 de Maio. Os monges beneditinos tiveram de abandonar o mosteiro, fugindo para o mato onde ficaram escondidos até terem conseguido abandonar a região.

O Bispo de Pemba, em declarações à Fundação AIS, confirmou então que “os quatro monges” partiram para a Tanzânia, país que faz fronteira com Moçambique, pois todos os religiosos são “de nacionalidade tanzaniana”, afirmando esperar que “eles possam regressar” o mais depressa possível. Porém isso ainda não aconteceu. Cinco meses depois, os monges beneditinos ainda se encontram na Tanzânia”, reconhece o Padre Fonseca em conversa ao telefone com a Fundação AIS.

Outro caso ocorreu em Macomia, localidade situada a cerca de 200 quilómetros de Pemba. No dia 28 de Maio, por causa de outro ataque de grupos armados, os responsáveis da paróquia tiveram de abandonar o local por questões de segurança.

Foi o próprio Bispo D. Luiz Lisboa a relatar o caso. “[Os padres] deixaram a vila para salvar a sua vida e não consigo informação segura sobre o que se passa neste momento”, disse então o prelado, citado pela agência Lusa.

Sinal da violência extrema que tem impedido a presença de elementos da Igreja Católica nas suas paróquias ou locais de missão, foi o ataque em Julho a Mocímboa da Praia, de que resultou a destruição completa do edifício da igreja paroquial.

Foi também em Mocímboa da Praia que estavam duas irmãs brasileiras quando a vila costeira foi alvo de um novo ataque, ainda de maior envergadura, nos primeiros dias de Agosto.

As duas religiosas ficariam reféns durante vinte e quatro dias. Uma história que ficou conhecida internacionalmente na sequência do telefonema do Papa Francisco para o Bispo de Pemba no dia 19 de Agosto, em que o Santo Padre manifestou “a sua proximidade” para com o prelado e o povo de Cabo Delgado.

Foi o Bispo de Pemba que, mais tarde, já em Setembro, anunciou a libertação das religiosas. “[As] nossas Irmãs Inês e Eliane, da Congregação de São José de Chambéry, que trabalham na Paróquia de Mocímboa da Praia, após vinte e quatro dias desaparecidas, já estão novamente entre nós, sãs e salvas.”

Outro caso de uma comunidade que viu partir provisoriamente os seus responsáveis de missão foi em Nangade, a cerca de 400 quilómetros de Pemba. Por lá estavam o Frade Boaventura e a Irmã Hadasse, da Fraternidade ‘O Caminho’. Na paróquia tinham a responsabilidade de 63 comunidades e a manutenção, entre outros projectos, de uma escola infantil e de um centro de nutrição.

Foi um trabalho que se iniciou do zero em 2017. Em Junho deste ano, para o jornal “O São Paulo”, da Arquidiocese brasileira de São Paulo, frei Boaventura descreveu o ambiente de tensão que se vivia na região.

Referindo que a missão em Nangade “acontece no meio de um ambiente de riscos e muitos desafios por se localizar numa zona de ataques armados e uma realidade de abandono e pobreza”, o religioso brasileiro afirma que “o medo e a instabilidade” se agravaram nos últimos tempos.

E descreve, ao jornal da arquidiocese, uma realidade que “parte o coração” dos missionários. “Centenas de pessoas no território de nossa paróquia e outras missões veem diariamente famílias e famílias se deslocando de um lugar para o outro à procura de um pouco de paz, e, em muitos casos, as famílias acabam divididas e perdidas no mato à procura de lugares seguros. Tudo isso gera imensos desafios que partem o coração de um missionário ao ver o povo sem casa, sem comida, e à noite ter que buscar refúgio nas matas ou ficar sem saber para onde ir com o pouco que sobrou de seus pertences.”

Também em Meluco, Quissanga e Ibo, onde existia desde 2018 a presença de Missionários do Sagrado Coração, oriundos do Brasil, se assistiu à partida dos religiosos, os Padres Eduardo e Benedito Ângelo.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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