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Notícias

MOÇAMBIQUE: Diocese continua sem notícia das duas religiosas desaparecidas no ataque a Mocímboa da Praia

28 agosto 2020
MOÇAMBIQUE: Diocese continua sem notícia das duas religiosas desaparecidas no ataque a Mocímboa da Praia
Desconhece-se o paradeiro de duas Irmãs de São José de Chambéry desaparecidas durante o violento ataque por grupos jihadistas ao porto de Mocímboa da Praia, no início do mês de Agosto.

O Padre Kwiriwi Fonseca, da Diocese de Pemba, dá conta de que as autoridades não prestaram até agora qualquer esclarecimento sobre o que aconteceu a estas duas religiosas e às mais de 60 pessoas que estavam na casa da comunidade quando se deu o ataque.

“Quando a cidade foi ocupada – descreve o sacerdote à Fundação AIS –, por causa da inviabilidade de comunicação, da falta de comunicação, não conseguimos [estabelecer] contacto com as irmãs e acreditamos que [elas] perderam os telefones… Nós estamos [a ver as coisas] pelo lado positivo… Acreditamos que talvez não estão mortas mas tenham perdido a comunicação. É assim que nós nos consolamos porque não sabemos exactamente a notícia oficial. Não temos nenhuma notícia oficial.”

O Padre Fonseca revela que a região de Mocímboa da Praia está interdita e que “ninguém consegue chegar até lá”. O sacerdote de Pemba recorda que o ataque “começou a 5 de Agosto”, a que se seguiram “dias consecutivos” de combates, “até dia 11”. “Durante esses dias eles atacaram e ocuparam o Porto de Mocímboa da Praia.”

Foi durante esse ataque que se perdeu o contacto com as duas irmãs. Trata-se das irmãs Inês Ramos e Eliane da Costa. “São brasileiras. Uma [a irmã Inês] é idosa, tem mais de 70 anos, e a outra é uma senhora adulta”, descreve ainda o Padre Kwiriwi.

Na altura do ataque estavam na casa das Irmãs de São José de Chambéry “cerca de 60 pessoas”. Eram essencialmente idosos e algumas crianças. O que se passou, ninguém sabe. “Se [as irmãs] voltaram ao local, também não sabemos, porque não há lá nenhum lugar onde se possa comprar um novo telefone… Como não temos nenhuma notícia referentes a essas [60] pessoas, não sabemos se desapareceram, se morreram, se foram sequestradas. Não sabemos…”

Os responsáveis da Diocese de Pemba souberam do ataque à casa das Irmãs de São José através do telefonema de um animador da comunidade. “Foi ele que nos deu a notícia de que a casa das irmãs tinha sido assaltada. Por isso, nós soubemos da notícia das irmãs. O silêncio delas é que nos fez crer que perderam os telefones e que estão num lugar incerto. Por isso, nós resumimos de forma simplificada que as duas irmãs, Inês e Eliane, estão em um lugar incerto e dadas como desaparecidas pois não temos nenhum dado e não podemos inventar.”

A falta de notícias sobre estas duas religiosas brasileiras e o sentimento de insegurança que se vive na região norte de Moçambique foi referida também pelo Padre José Luzia Gonçalves, um missionário português, aos microfones da Rádio Sem Fronteiras, uma emissora de Cabo Delgado.

Na entrevista, divulgada esta semana na página oficial da Diocese de Pemba na Internet, o Padre Luzia referiu que se vive, “neste momento, uma situação angustiante” em Cabo Delgado. “É angustiante porque não temos notícias sobre o que se passa com aquelas duas irmãs e aquelas crianças e idosos que elas cuidavam em Mocímboa… Não sabemos…”

A Fundação AIS tem ajudado os cristãos em Moçambique com diversos projectos, desde a reconstrução de igrejas até ao apoio de subsistência aos missionários. Actualmente está mesmo em curso uma campanha de ajuda de emergência para a Igreja local dada a situação particularmente grave que se vive em Cabo Delgado, onde, em consequência dos ataques de grupos jihadistas – que tiveram início em 2017 mas adquiriram intensidade no decorrer deste ano –, já se contabilizaram mais de mil mortos e mais de 250 mil deslocados, num cenário terrível de destruição que levou ao abandono de inúmeras aldeias e vilas.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Total de 1 Comentário(s)
António Gonçalves
Como é triste ver a caminhada deste povo. Primeiro a guerra colonial, depois frélimo e agora muçulmanos . Será que a comunidade internacional incluindo Portugal não pode pôr termo a esta chacina? será que os partidos políticos Moçambicanos ainda não perceberam que estão lá para servir e não servi-se? Um País com tantas possibilidades ainda não conseguiu perceber ao fim de quase 50 anos que todos têm direito a ter opinião e que essa opinião tem que ser respeitada?
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