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MOÇAMBIQUE: Monges beneditinos descrevem ataque à missão em Cabo Delgado e reafirmam desejo de regressar

25 maio 2020
MOÇAMBIQUE: Monges beneditinos descrevem ataque à missão em Cabo Delgado e reafirmam desejo de regressar
Os quatro monges beneditinos que se encontravam na missão em Auasse, na província de Cabo Delgado, atacada por um grupo jihadista no passado dia 12 de Maio, estão actualmente na Abadia de Ndanda, na Tanzânia, depois de se terem escondido no mato, fugindo dos assaltantes.

Por causa da pandemia do coronavírus que está a afectar também a região norte de Moçambique, e por precaução, os quatro religiosos estão em isolamento na casa de retiros em Ndanda.

Na página na internet, os monges beneditinos tanzanianos descrevem o ataque e referem a vontade de regressar à missão em Moçambique, “assim que melhorar a situação no terreno”.

Sobre o ataque em si, é referido que “na noite” de 12 de Maio, “membros de uma milícia terrorista islâmica” atacaram a missão beneditina Moçambique. “Felizmente, todos os quatro irmãos puderam escapar a tempo.”

Acrescentam que “o edifício principal foi totalmente saqueado” e que a “tentativa de o incendiar falhou”. No entanto, isso não aconteceu com outras estruturas existentes no local. “Um prédio mais pequeno nas imediações do edifício principal foi totalmente destruído pelo fogo.”

Nesse edifício “totalmente destruído pelo fogo pelas indesejáveis milícias”, havia uma garagem, lavandaria, zona de arrumações e ainda dois quartos. Os assaltantes levaram ainda a carrinha dos monges, “uma Toyota Double Cab”.

O ataque foi descrito como “um revés” para a missão no norte de Moçambique. No entanto, é assegurado que “não interromperá o trabalho dos beneditinos nessa região a longo prazo”. A promessa de regresso é reafirmada por mais de uma vez. Tudo irá depender agora das condições de segurança na província.

O ataque à aldeia de Auasse, em Cabo Delgado, levou o Bispo de Pemba a reafirmar a sua preocupação pelo escalar da violência nesta região, situação que está a provocar “a fuga em massa das populações”.

Falando ao telefone para a Fundação AIS em Portugal, D. Luiz Fernando Lisboa reconhece que, neste momento, haverá já “mais de 200 mil deslocados em toda a província”, e que se está perante uma “verdadeira crise humanitária”.

As pessoas estão em fuga para os grandes centros urbanos, onde se sentem em maior segurança, havendo um fluxo enorme de desalojados rumo à cidade de Pemba. Aí, explica o Bispo, a Igreja juntamente com as autoridades locais, tem vindo a improvisar formas de acolhimento. “Foram montados acampamentos em escolas e prédios do governo. São acampamentos para 500, mil, às vezes duas mil pessoas”, descreve o bispo

D. Luiz Fernando Lisboa reconhece que o problema é de facto muito grave. “Há fome! Há fome, porque muitas famílias já são pobres e estão a gora a receber outras pessoas”, explica o prelado à Fundação AIS. “É um problema muito sério… Por isso é que o Papa usou a palavra certa ao dizer [que estamos a viver] uma crise humanitária…”

O Bispo de Pemba refere as palavras do Papa Francisco no domingo de Páscoa na bênção Urbi et Orbi. Então, numa avaliação sucinta ao estado do mundo, o Santo Padre mencionou África e lembrou que se trata de um continente que tem vindo a ser palco de “ataques terroristas”, referindo expressamente a “crise humanitária que a região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, está a sofrer”.

O ataque, no passado dia 12 de Maio à missão dos monges beneditinos, parece indicar, de alguma forma, que os grupos jihadistas têm também como propósito atacar a Igreja Católica.

Até ao momento, já se registaram diversos ataques. O que ocorreu em Abril na Igreja em Nangololo, uma das mais antigas missões nesta região, teve grande impacto mediático, mas como reconhece agora o Bispo de Pemba à Fundação AIS, “cinco ou seis capelas já foram [entretanto] atacadas e queimadas”. D. Luiz Lisboa lembra no entanto que também já houve ataques a mesquitas, “embora ultimamente pareça que o alvo são [de facto] as igrejas cristãs…”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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