Fundação de Ajuda à Igreja que Sofre - Fundação AIS
Rua Professor Orlando Ribeiro, 5D 1600-076 Lisboa, Portugal
(+351) 217544000 apoio@fundacao-ais.pt Fundação AIS 1995
Lisboa
https://www.fundacao-ais.pt/uploads/seo/big_1585926010_1526_logo-jpg
15 10
505152304

Notícias

MOÇAMBIQUE: Papa “foi primeiro a saber” da libertação das irmãs após ataque a Mocímboa da Praia, diz Bispo de Pemba

5 outubro 2020
MOÇAMBIQUE: Papa “foi primeiro a saber” da libertação das irmãs após ataque a Mocímboa da Praia, diz Bispo de Pemba
“O Papa Francisco foi praticamente o primeiro a saber que as irmãs já estavam connosco”, afirmou o Bispo de Pemba ao programa “Fantástico”, da TV Globo. “As irmãs” a que D. Luiz Fernando Lisboa se refere, são as duas religiosas da Congregação de São José de Chambéry que ficaram reféns dos terroristas após o ataque de 11 de Agosto a Mocímboa da Praia.

Durante 24 dias desconheceu-se por completo o paradeiro das duas religiosas e só agora, nas declarações à televisão brasileira, o bispo esclarece um pouco o que lhes aconteceu. “Os insurgentes dominaram toda a cidade de Mocímboa da Praia”, recorda o prelado. Em consequência desse ataque, muitas pessoas ficaram reféns dos terroristas que reclamam pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico. Entre essas pessoas, havia “homens, mulheres e crianças que estavam sob o cuidado das irmãs”, diz D. Luiz Fernando Lisboa. “Algumas pessoas idosas não puderam sair do lugar, não conseguiram fugir.”

O Bispo de Pemba afirma que as duas religiosas, ambas brasileiras – Inês Ramos, natural do Paraná, e Eliane da Costa, de São Paulo –, “ficaram então durante muitos dias levando comida para esses idosos”.

A libertação só se verificou ao fim de 24 dias. E o Bispo de Pemba tratou logo de falar com o Papa. “Informei-o logo de seguida.” As duas irmãs estão agora bem de saúde. No entanto, “chegaram bastante debilitadas, uma delas com malária, com febre um pouco alta”.

Para já, está fora de questão o regresso das duas religiosas a Mocímboa da Praia, até porque, como explicou à Fundação AIS o Padre Kwiriwi Fonseca, responsável pela comunicação da Diocese de Pemba, “a região onde trabalham continua em guerra”.

Na reportagem da TV Globo, emitida a 20 de Setembro, o Bispo de Pemba refere-se aos terroristas dizendo que se trata de “um grupo extremista islâmico”. Os ataques, que têm vindo a assolar a região norte de Moçambique, tiveram início em 2017 mas agudizaram-se este ano. “Quando começaram a atacar as cidades, eles – diz D. Luiz Lisboa – começaram a falar que eram membros do Estado Islâmico.”

Calcula-se que nestes três anos de violência já se registaram mais de 560 ataques armados, o que significa uma média de cerca de um ataque a cada dois dias. No total, já terão perdido a vida cerca de duas mil pessoas.

Para o Bispo de Pemba, a pobreza da região norte de Moçambique ajuda a explicar o surgimento desta onda de terror. “Um dos motivos é por causa da pobreza da nossa região. Houve um esquecimento por parte dos governos passados e do actual de investir nessa região…”

O ataque à Missão das Irmãs de São José de Chambéry não foi um caso isolado em relação à Igreja Católica na província de Cabo Delgado. Antes, os terroristas já tinham atacado, por exemplo, o Convento dos monges beneditinos situado em Auasse, a 12 de Maio, e forçando os quatro religiosos a terem de se esconder no mato. Símbolo também da destruição causada pelos grupos terroristas, a Igreja paroquial de Mocímboa da Praia foi incendiada em Julho, num dos vários ataques lançados nos últimos meses contra esta importante cidade portuária em Cabo Delgado.

A Fundação AIS tem procurado ajudar os cristãos em Moçambique com diversos projectos, desde a reconstrução de igrejas até ao apoio à subsistência dos missionários. Actualmente, está em curso uma campanha de ajuda de emergência para a Igreja local dada a situação particularmente grave que se vive em Cabo Delgado onde, além dos mortos e feridos e da destruição de casas e infraestruturas em aldeias, vilas e cidades, já se contabilizam mais de 250 mil deslocados.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Deixar um comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

O TERROR CHEGOU!

Cabo Delgado


Observatório do país

Os cookies ajudam-nos a oferecer os nossos serviços. Ao utilizar a nossa página, concorda com a nossa política de cookies.
Saiba Mais