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NIGER: Cristãos temem ataques de grupos extremistas por causa das medidas impostas pelo combate ao Covid19

13 maio 2020
NIGER: Cristãos temem ataques de grupos extremistas por causa das medidas impostas pelo combate ao Covid19
Na memória de toda a comunidade cristã está a onda de ataques extremamente violentos contra a Igreja no Níger em janeiro de 2015 em sequência dos protestos pela publicação de caricaturas de Maomé no semanário satírico francês Charlie Hebdo.

As medidas que estão a ser impostas agora pelas autoridades para a contenção da propagação do coronavírus no país, têm dado origem a violentos protestos por parte de grupos extremistas muçulmanos. O risco de esses protestos serem usados, de alguma forma, como pretexto para novos ataques contra os cristãos não pode ser descurado.

O temor existe e o Bispo de Maradi afirmou-o à Fundação AIS. “Temos que estar atentos, pois as reacções dos extremistas muçulmanos fundamentalistas são imprevisíveis”, disse D. Ambroise Ouédraogo.

De facto, o receio da repetição dos tumultos causados pela publicação das caricaturas no jornal parisiense, de que resultaram cinco mortos em 2015, é grande. Um elemento da comunidade cristã de Zindar, a terceira maior cidade do Níger, que pediu para não ser identificado por questões de segurança, referiu que as pessoas ficaram com medo depois do anúncio, a 12 de Abril, de que todas as manifestações públicas de culto religioso teriam de ser suspensas. Os tumultos foram quase imediatos.

“Houve distúrbios, primeiro a cerca de 16 quilómetros da cidade de Zinder e depois na própria cidade”, disse, acrescentando que havia no ar, em todo o lado, um cheiro imenso a “pneus queimados e gás lacrimogéneo”. No entanto, apesar da dimensão dos protestos, “a missão católica não foi danificada”.

Mas o medo do regresso ao passado, aos motins de Janeiro de 2015, é indisfarçado. Então, quando as ruas se encheram de manifestantes irados por causa da publicação das caricaturas de Maomé no Charlie Hebdo, seis igrejas foram atacadas em Zinder, bem como lojas de cristãos e o centro cultural francês.

Agora em Abril, quando as autoridades anunciaram o confinamento obrigatório por causa do coronavírus, só a rápida actuação das autoridades terá impedido que a ira dos manifestantes voltasse a cair sobre as igrejas, numa repetição desses tumultos de há cinco anos.

“Felizmente, as autoridades responderam rapidamente desta vez”, afirmou aquele responsável da comunidade cristã, tendo sublinhado que houve mesmo a colocação de agentes da polícia em Maradi, “em torno da missão católica local”, como elemento dissuasor.

Outras cidades foram também palco de manifestações, como a capital, Niamey, onde a polícia foi forçada a dispersar grupos mais violentos que chegaram a atirar pedras para casa de um pastor protestante e colocando pneus a arder nas imediações de uma igreja.

Nas ruas de Meyadi, por exemplo, as manifestações foram lideradas pelos imãs locais, tendo havido episódios de violência com ataques a edifícios governamentais com escolas secundárias e universidade a serem incendiadas.

D. Ambroise Ouédraogo sublinhou, nas declarações à Fundação AIS, que a “situação com o coronavírus é diferente do incidente de Charlie Hebdo”, pois não se trata de “um conflito religioso nem político”. “Em 2015, a oposição política tentava provocar uma revolta para derrubar o governo de então, e a Igreja foi um bode expiatório útil. Acredito que, com o coronavírus, eles não ousarão atacar os cristãos da mesma maneira…”



Em relação à pandemia, no início de Maio havia oficialmente em todo o país apenas 719 casos confirmados, com 32 óbitos e 452 pacientes em recuperação. No entanto, estes números poderão não expressar a real dimensão do impacto do vírus, pois o sistema de saúde do Níger não tem capacidade para avaliar com precisão o número de pessoas eventualmente infectadas.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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