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NIGÉRIA: “A insegurança tomou conta do país”, denuncia sacerdote no rescaldo ainda do ataque à Igreja em Owo

29 junho 2022
NIGÉRIA: “A insegurança tomou conta do país”, denuncia sacerdote no rescaldo ainda do ataque à Igreja em Owo
A onda de ataques contra a Igreja na Nigéria parece não ter fim. Neste fim-de-semana, dias 25 e 26 de Junho, dois padres católicos foram mortos em ataques nos estados de Kaduna e de Ebo. São os padres Vitus Borogo, capelão do instituto politécnico de Kaduna, e Christopher Odia Ogedegbe, pároco em São Miguel, em Ebo. Calcula-se que entre Janeiro e Março deste ano tenham sido mortos cerca de 400 cristãos neste país africano, vítimas de terroristas e dos grupos armados que estão a criar uma verdadeira epidemia de sequestros, muitos dos quais terminam da forma mais dramática possível.

Um dos ataques que mais contribuiu para esta estatística terrível foi o que ocorreu na Igreja de São Francisco de Xavier, em Owo, no estado de Ondo. O ataque, no Domingo de Pentecostes, dia 5 de Junho, causou pelo menos 40 mortos e deixou ainda várias dezenas de feridos entre os fiéis que assistiam à missa.

Não se sabe ainda quem foi responsável por este violento e cruel massacre. Em entrevista à Fundação AIS Internacional, o Padre Augustine Ikwu, director de Comunicação Social da diocese, explica que tem havido muita especulação sobre os autores do ataque, mas nada se pode afirmar em concreto. “Tem havido muita especulação, mas não queremos nos ater a especulações que possam se revelar incorretas. Algumas especulações soam bastante lógicas e encaixam-se na situação geral do nosso país neste momento, como a insegurança, a agitação política e os conflitos entre pastores e agricultores Fulani. Embora não possamos dizer que essa especulação é falsa, também não podemos confirmá-la. São possibilidades.”

O sacerdote, que falou em exclusivo para a Ajuda à Igreja que Sofre, explica que na região, no Estado de Ondo, não tem praticamente havido casos de violência, nomeadamente com militantes islâmicos ou os pastores Fulani, e as situações registadas, apenas “ocasionalmente”, não têm sido graves. “É realmente um estado pacífico e é difícil acreditar que os muçulmanos locais fariam algo assim. Sempre houve uma divisão clara entre os muçulmanos do norte e do sul. Os muçulmanos que vivem na nossa região são relativamente pacíficos e vêm denunciando publicamente essas atrocidades. Portanto, não podemos simplesmente imputar-lhes isto.”

A notícia do ataque brutal à Igreja de São Francisco de Xavier correu mundo e mostrou que, de facto, a Nigéria tem um grave problema de insegurança. “Apelamos a quem puder para nos ajudar nas investigações”, pede o Padre Augustine Ikwu, na entrevista conduzida pelo jornalista Filipe D’Avillez. “Mas também gostaríamos de pedir ao mundo que tenha consciência do estado de insegurança, não apenas no nosso estado agora, mas em todo o país. Porque a insegurança literalmente tomou conta do país neste momento. E se eu pudesse dizer alguma coisa ao governo actual, diria que não é desonroso renunciar quando se depara com uma situação que não pode lidar. Se o país se tornou ingovernável, deveria ser honroso renunciar e deixar espaço para alguém intervir, que poderia lidar melhor com isso. Não devemos permitir que a ganância nos conduza.”

A violência do ataque, a forma meticulosa como terá sido planeado, o elevado número de vítimas, poderiam levar a actos de vingança por parte da comunidade cristã. A Igreja está atenta e tem apelado às pessoas para que resistam à tentação de fazer justiça pelas próprias mãos. “Esse não é o modo de vida cristão. Mesmo nessas situações, respondemos ao mal com paz. Isso é fácil de dizer, mas difícil de praticar. Mas, ao longo do tempo, descobrimos que isso é melhor para a sociedade”, diz o sacerdote. O importante, diz, “é evitar mais violência e não causar mais danos”.



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