Fundação de Ajuda à Igreja que Sofre - Fundação AIS
Rua Professor Orlando Ribeiro, 5D 1600-076 Lisboa, Portugal
(+351) 217544000 apoio@fundacao-ais.pt Fundação AIS 1995
Lisboa
https://www.fundacao-ais.pt/uploads/seo/big_1585926010_1526_logo-jpg
15 10
505152304

Notícias

NIGÉRIA: “Tem sido terrível”, diz bispo de Makurdi face ao número brutal de cristãos mortos nos últimos dois meses

22 julho 2022
NIGÉRIA: “Tem sido terrível”, diz bispo de Makurdi face ao número brutal de cristãos mortos nos últimos dois meses
Decorreu ontem, na Catedral de São Pedro, na Diocese de Kafanchan, a cerimónia fúnebre do Padre John Mark Cheitnum, assassinado a 15 de Julho, mas cujo corpo, já em decomposição, seria apenas descoberto quatro dias mais tarde. O “brutal assassinato” deste padre, como a diocese classificou o crime, é apenas um dos exemplos mais recentes da enorme violência que está a atingir a Igreja da Nigéria nos últimos meses.

Só no estado de Benué, e apenas nos dois últimos meses, pelo menos 68 cristãos foram mortos e muitos outros raptados ou forçados a abandonar a região. Estes dados fazem parte de um relatório enviado à Fundação AIS Internacional pelo Bispo de Makurdi, D. Wilfred Anagbe.

O prelado afirma que “tem sido terrível” ter de lidar com esta situação, apontando o dedo às autoridades federais pela falta de acção perante esta onda de violência.

A Nigéria tem sido palco de constantes actos de terror nos tempos recentes, da responsabilidade de grupos terroristas, nomeadamente o Boko Haram, mas também de pastores nómadas Fulani e de malfeitores que transformaram os raptos num proveitoso negócio.

O estado de Benué, onde está situada a Diocese de Makurdi, fica na região central da Nigéria, onde se tem evidenciado a actuação dos pastores Fulani, maioritariamente muçulmanos, e que têm vindo a manifestar uma agressividade cada vez mais acentuada contra as comunidades agrícolas locais que são predominantemente cristãs. Esta situação é muito complexa pois, segundo o Bispo, terroristas disfarçam-se de pastores nómadas para encobrirem a verdadeira intenção dos seus ataques, que é a de expulsar os cristãos das suas terras.

Segundo o bispo, “a escalada de assassinatos, deslocamentos e destruição arbitrária de propriedades por essas milícias jihadistas Fulani apenas reforça a agenda, agora revelada, de despovoar as comunidades cristãs na Nigéria e tomar as terras”. “O Governo no poder na Nigéria continua a não fazer nada sobre esses ataques persistentes. Excepto para dar razões risíveis como ‘mudança climática’ ou que alguns muçulmanos também são às vezes mortos em ataques dos chamados bandidos.”

Além da morte de um número crescente de pessoas e da destruição de propriedades, os ataques dos pastores Fulani junto das comunidades cristãs estão a provocar também um espectro de fome nesta vasta região. O Bispo fala mesmo numa “escassez de alimentos insuportável e severa”, explicando que “o Estado de Benué é conhecido por ser a fonte de alimentos do país”.

Agora, por causa desta instabilidade, o “abastecimento de alimentos” está a ficar afectado. Como resultado, os agricultores agora precisam de ajuda para conseguirem sobreviver. “Esta precariedade faz com que muitos vivam em condições incompatíveis com a dignidade humana. Muitas vezes contam com rações alimentares fornecidas por outros, cuja condição económica não é melhor…”

A Diocese de Makurdi tem sido também directamente afectada por esta onda de violência, a começar no facto de abrigar cerca de 80% dos deslocados do estado de Benué. O próprio Bispo afirma que o seu trabalho está a ficar comprometido por questões de segurança. “Há alguns anos que não consigo realizar actividades pastorais em partes da minha diocese”, diz D. Wilfred Anagbe.

Apesar dessas dificuldades, recentemente, a Comissão de Justiça, Desenvolvimento e Paz distribuiu alimentos e roupas para mais de 1.800 pessoas em apenas um campo de deslocados. A diocese também oferece bolsas de estudo para dezenas de crianças deslocadas, para que não percam a oportunidade de estudar.

Perante este cenário tão duro, que os Cristãos têm sido forçados a enfrentar na Nigéria, o Bispo de Makurdi agradece o apoio concreto que a Fundação AIS tem vindo a disponibilizar à Igreja deste país africano referindo-se à Ajuda à Igreja que Sofre como “uma fonte de luz num vale de trevas”.
A AIS tem vindo a apoiar os Cristãos na Nigéria, um dos países em África onde a perseguição religiosa é mais visível. Assim, em 2021, a fundação pontifícia financiou 105 projectos em diferentes áreas, não descurando o apoio para a participação de representantes da Igreja local em eventos internacionais sobre questões como a liberdade religiosa e a perseguição aos Cristãos, e a divulgação de notícias sobre o sofrimento dos Cristãos neste país.



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Deixar um comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

REFUGIADOS NIGÉRIA


Os cookies ajudam-nos a oferecer os nossos serviços. Ao utilizar a nossa página, concorda com a nossa política de cookies.
Saiba Mais