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NIGÉRIA: Onda de raptos e ataques contra sacerdotes e elementos da Igreja inquieta a comunidade cristã

12 maio 2022
NIGÉRIA: Onda de raptos e ataques contra sacerdotes e elementos da Igreja inquieta a comunidade cristã
O Padre Joseph Aketeh Bako, de 48 anos, sequestrado a 8 de Março quando se encontrava na residência paroquial da Igreja de São João, em Kudenda, é uma das vítimas mais recentes de uma onda de ataques contra elementos da Igreja Católica na Nigéria.

Num comunicado enviado ontem, dia 11 de Maio, para a Fundação AIS pelo Padre Emmanuel Okewu, chanceler da Arquidiocese de Kaduna, refere-se que o Padre Bako terá morrido “às mãos dos seus raptores” entre os dias 18 e 20 de Abril. O facto de esta comunicação ser tão tardia deve-se “ao facto de as circunstâncias que levaram à sua morte e a data do incidente terem sido cuidadosamente verificadas”, pode ler-se o comunicado.

Ainda no mês de Março, dois outros sacerdotes foram raptados: o Padre Felix Zakari Fidson, da Diocese de Zaria, e o Padre Leo Ozigi, pároco da Igreja de Santa Maria, no Estado do Níger. Tanto Zakari como Ozigi acabariam por ser libertados.

Além dos sacerdotes, vítimas de sequestro, tem havido também casos de ataques a religiosas. A 14 de Março, por exemplo, um mosteiro beneditino situado no sul do país foi alvo de ataque por homens armados tendo raptado quatro religiosas. As irmãs seriam libertadas ao fim de alguns dias.

Praticamente um mês antes, a 24 de Fevereiro, a Irmã Esther Nkiru Ezedinachi foi alvo de uma tentativa de emboscada ao fim da tarde quando o carro em que circulava, na zona de Oko, Estado de Anambra, foi atacado por homens armados.

A sua história foi divulgada, entretanto, pelo ‘Denis Hurley Peace Institute’, que tem vindo a monitorizar situações de violência contra comunidades cristãs em África, nomeadamente na Nigéria e em Moçambique. “Começaram a disparar. Ficou um caos e as pessoas corriam, confusas”, recordou a irmã. Estavam cinco pessoas no carro. Duas procuraram refugiar-se numa loja e foram raptadas. As restantes, incluindo a religiosa, fugiram para o mato.

“Após cerca de 30 minutos, quando deixámos de ouvir tiros e começámos a ouvir vozes normais de pessoas, nós, como muitos outros, saímos dos nossos esconderijos. Quando chegámos à estrada, vimos uma poça de sangue que, soubemos no dia seguinte, era de um professor que mataram a tiro. Algumas pessoas diziam que tivemos muita sorte, pois dispararam 4 tiros no para-brisas e partiram o vidro da porta lateral” do carro, relatou a irmã.

O terrorismo é outra das faces da violência que tem atingido a Nigéria nos tempos mais recentes. Ainda este ano, no final de Janeiro, a Fundação AIS em França deu relevo a esta questão em mais uma edição da Noite dos Testemunhos. Numa mensagem enviada desde a diocese de Maiduguri, uma das mais atingidas por ataques terroristas, nomeadamente pelo grupo jihadista Boko Haram, D. Oliver Doeme fez um retrato dramático de uma realidade que atingiu já uma dimensão brutal e teve o seu apogeu em 2014.

“Os piores ataques tiveram lugar em 2014. O Boko Haram capturou quase todos os membros da nossa diocese, que foram forçados a fugir das suas casas ancestrais. O número de católicos deslocados é muito superior a 100 mil. Mais de 25 padres foram expulsos do seu local de missão. Mais de 40 religiosas foram forçadas a fugir. Do mesmo modo, mais de 200 catequistas tiveram de fugir dos seus locais de trabalho. Mais de mil católicos foram mortos por estes terroristas”, disse o prelado na mensagem enviada para França.

Uma das consequências mais terríveis do terrorismo na Nigéria é o rapto de muitos jovens, nomeadamente raparigas. O Bispo Doeme fez questão de recordar o caso dramático de Leah Sharibu, uma jovem cristã raptada a 19 de Fevereiro de 2018, quanto tinha apenas 15 anos de idade, e que por ter recusado renunciar à sua fé permaneceu em cativeiro até agora.

“Leah, uma estudante cristã de Dapchi, foi raptada pelos terroristas há alguns anos e nunca foi libertada. A maioria das raparigas raptadas pelos terroristas casou à força com homens do Boko Haram. Temos também testemunhos de raparigas e mulheres que escaparam miraculosamente às garras destes ‘leões’. Muitos dos jovens capturados pelos terroristas foram recrutados à força para o seu exército”, disse ainda o Bispo.

Leah Sharibu, cuja história tem sido apresentada profusamente pela Fundação AIS como exemplo da tragédia que se tem abatido sobre a comunidade cristã nigeriana, continua em cativeiro. Este sábado, dia 14 de Maio, Leah faz 19 anos de idade. É o quarto ano consecutivo em que passa o seu aniversário em cativeiro.



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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