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PAQUISTÃO: Ameaça de grupos radicais ensombra vida de casal cristão que tribunal ilibou da acusação de blasfémia

23 junho 2021
PAQUISTÃO: Ameaça de grupos radicais ensombra vida de casal cristão que tribunal ilibou da acusação de blasfémia
O tribunal anulou no dia 3 de Junho a acusação de blasfémia que pendia sobre Shagufta Kausar e Shafqat Emmanuel Masih, mas isso não impediu que grupos radicais continuem a ameaçar a vida deste humilde casal cristão.

Shagufta e Shaqat foram condenados à morte em 2014 pelo alegado envio de mensagens de texto com carácter injurioso, apesar de se ter provado então no tribunal que ambos são analfabetos.

Agora, desde que foi conhecida a sentença dos juízes do Tribunal da Relação de Lahore, devolvendo o casal à liberdade, que têm crescido nas redes sociais ameaças à sua integridade física e vida.

O próprio advogado de defesa o revelou à Fundação AIS acusando grupos radicais de lançarem mensagens apelando à violência. Segundo Saif ul Malook, “as mensagens em urdu no Twitter e noutras redes sociais são muito claras”. Tanto Shagufta como Shafqat “precisam de ser eliminados”. Este tipo de incitamento, “é muito perigoso”, diz o advogado.

Joseph, irmão de Shagufta Kausar, confessou também à Fundação AIS o receio sobre o que pode vir a acontecer à família. “As ameaças devem ser levadas a sério”, diz, lembrando que ninguém está verdadeiramente protegido face aos grupos radicais. Nem na prisão. “Mesmo na prisão, há o risco de serem baleados ou envenenados”, explicou Joseph Kausar.

Também o advogado de defesa, que assumiu anteriormente a causa de Asia Bibi – a mulher, mãe de cinco filhos, condenada à morte por blasfémia por ter bebido um copo de água de um poço – está a ser ameaçado.

Falando à AIS, o causídico mostrou-se receoso pelo evoluir dos acontecimentos. “Eu diria que estou com mais medo agora do que quando Asia Bibi foi absolvida. Naquela época, ninguém estava a colocar mensagens tão fortes nas redes sociais, incitando as pessoas…”

O caso de Shagufta Kausar e Shafqat Emmanuel Masih e a reacção de grupos radicais que ameaçam a vida deste casal cristão, mostram que há ainda um longo caminho a percorrer no Paquistão para no sentido da protecção das minorias religiosas.

A decisão do Tribunal de Lahore de anular a sentença contra o casal cristão ocorreu, recorde-se, depois da aprovação em Abril pelo Parlamento Europeu de uma resolução solicitando ao governo paquistanês para colocar um ponto final na abusiva lei da blasfémia.

Votada a 29 de Abril, essa resolução condena “inequivocamente o incitamento à violência e à discriminação contra as minorias religiosas” no Paquistão. O documento é extenso e refere alguns casos concretos de pessoas vítimas desta lei.

Na ocasião, Joel Amir Sohatra, um destacado dirigente cristão e antigo membro do Parlamento Provincial do Punjab, afirmou, numa mensagem enviada para Lisboa, para a Fundação AIS, que “as minorias religiosas, sobretudo a comunidade cristã, não estão em segurança no Paquistão”, face ao aumento do número de casos de pessoas acusadas falsamente de blasfémia.

Na mensagem, Sohatra refere que se vivem “dias de escuridão”, afirmando que “a discriminação religiosa e o abuso da lei de blasfémia estão a aumentar diariamente”. Exemplo disso, o antigo parlamentar recordou o caso de duas enfermeiras cristãs que se viram recentemente no centro de uma polémica por causa do uso indevido desta lei que foi criada para punir quem se manifeste de forma inapropriada ofendendo o Corão ou insultando o profeta Maomé.

“As duas enfermeiras cristãs, que cumpriam os seus deveres da melhor maneira possível em hospitais públicos de Faisalabad, foram acusadas de blasfémia.” Para este dirigente da comunidade cristã, “é muito fácil usar a lei de blasfémia, que é muito controversa e muito perigosa para as minorias religiosas, como vingança pessoal”.

Calcula-se que cerca de 80 pessoas continuam detidas no Paquistão sob a acusação de blasfémia,enfrentando a pena de morte ou prisão perpétua, segundo a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional.



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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