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PAQUISTÃO: Cristãos preocupados com entidade criada pelo governo para garantir ensinamentos de Maomé

6 janeiro 2022
PAQUISTÃO: Cristãos preocupados com entidade criada pelo governo para garantir ensinamentos de Maomé
A criação de uma entidade destinada a assegurar a implementação dos ensinamentos de Maomé na sociedade paquistanesa, nomeadamente através da monitorização dos currículos escolares e da fiscalização das redes sociais, está a causar apreensão não só entre activistas cristãos, mas também junto de muçulmanos moderados.

A entidade em causa, cuja criação foi anunciada recentemente pelo primeiro-ministro Imran Khan, vai igualmente promover a investigação islâmica nas universidades e terá a capacidade de suspender a difusão de conteúdos considerados blasfemos nas redes socais.

Para Sabir Michael (na foto), dominicano leigo e professor na Universidade de Karachi, a criação desta nova entidade poderá ser uma resposta do primeiro-ministro ao aumento da inflação no país, e à pressão que tem vindo a crescer nas ruas por parte dos partidos islâmicos mais radicais. Seguramente que, para este professor, em declarações à Fundação AIS, irá assistir-se a um aumento da influência dos grupos mais extremistas e, simultaneamente, a uma maior fragilização dos direitos das minorias religiosas e das mulheres.

Imran Khan diz Sabir Michael, está a “usar a religião por razões políticas”. “Um dia depois de aumentar o preço da gasolina, Khan instou a nação a celebrar o aniversário do nascimento do Profeta Maomé de uma forma sem precedentes. Foi um truque político. As questões estruturais do extremismo, da pobreza, das disparidades económicas, do aumento das diferenças nas classes não estão a ser abordadas. As suas acções são artificiais e temporárias.”

Com o anúncio da criação desta nova entidade, o Paquistão corre o risco de se isolar ainda mais face à comunidade internacional. Diz o professor universitário que, “hoje em dia, o Paquistão está isolado devido à Islamização e à falta de respeito pelos direitos humanos”, e isso está a ter consequências já ao nível do turismo, mas também se nota que há um crescendo de insegurança que se reflecte na prática religiosa das minorias, nomeadamente dos cristãos.

“Os turistas desapareceram das nossas ruas. As minorias religiosas não podem realizar serviços de culto sem medidas de segurança. Escolas e hotéis transformaram-se em fortalezas. Os pais não-Muçulmanos proíbem os seus filhos de se envolverem em qualquer discurso religioso”, descreve o professor Michael. “Até mesmo muitos dos estudantes universitários que dizem ser seculares são, no fundo do seu coração, activistas… A juventude de hoje é predominantemente extremista”, acrescenta.

Para o docente da Universidade de Karachi, com a criação desta entidade, o Estado paquistanês “está a promover uma religião e a negar as outras”. “Este tratamento preferencial do islão é uma ameaça”, apesar de a constituição do país garantir a liberdade de religião.



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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