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PAQUISTÃO: Preso por crime que não cometeu, Cristão acusa polícia de tortura e de forçar conversão ao Islão

16 setembro 2020
PAQUISTÃO: Preso por crime que não cometeu, Cristão acusa polícia de tortura e de forçar conversão ao Islão
“Ou nos convertíamos ao Islão, ou enfrentaríamos a prisão.” Foi assim que Amjad Arif recordou à Fundação AIS o dilema que teve de enfrentar na esquadra da polícia em Lahore, horas depois de ter sido detido sob a acusação, injusta, de ter participado no assassinato de dois muçulmanos.

Tudo aconteceu em 2015. Dezenas de cristãos foram presos pelas autoridades por terem participado no linchamento de dois muçulmanos no seguimento de atentados suicidas, a 15 de Março desse ano, em duas igrejas e que causaram pelo menos duas dezenas de mortos e mais de 80 feridos em Youhanabad, um bairro de Lahore.

Amjad Arif, um modesto condutor de riquexó [um triciclo de transporte de passageiros], foi preso quando a cidade estava já em tumulto exigindo a vingança pela morte dos dois muçulmanos.

“Eu estava no terminal de camionagem deixando os meus passageiros quando o meu sogro me ligou e me contou que tinha havido o ataque terrorista. Liguei imediatamente para a minha mulher, mas a rede móvel tinha sido suspensa em Youhanabad”, recorda agora Arif à Fundação AIS.
Querendo voltar para casa o mais depressa possível, Arif diz que a entrada do bairro estava bloqueada por manifestantes junto a dois corpos queimados. Alguns dias depois, foi preso perto de sua casa. Houve dezenas de detenções de cristãos. A polícia queria apanhar os responsáveis pelo linchamento dos dois muçulmanos.

Na esquadra, relata Arif à Fundação AIS, os agentes da polícia agrediram os cristãos. “Insultaram, bateram e torturaram-nos com os cassetetes, acusando-nos de termos queimados os muçulmanos.”

Da memória desse dia na esquadra da polícia, o condutor de riquexó, pai de dois rapazes e de uma menina, lembra o momento em que os agentes retiraram a alguns dos cristãos os rosários que tinham consigo, num gesto de desprezo e humilhação, e como foram todos confrontados com a possibilidade de saírem imediatamente em liberdade. “Nós mantivemos a fé no Deus vivo!” Amjad Arif ficou preso. Foram cinco anos atrás das grades por um crime que não cometeu, sendo libertado em Janeiro deste ano depois das famílias dos muçulmanos mortos pela multidão terem sido indemnizadas.

Para Amjad Arif, modesto condutor de riquexó, será impossível apagar da sua vida os cinco anos atrás das grades, o medo constante de violência na prisão, o receio pela vida da sua mulher e filhos cá fora, desamparados. Mas, também por mais anos que viva, será difícil esquecer também a união entre os cristãos na cadeia, os tempos de oração, a forma como resistiram ao medo.

“Todos os dias, depois da chamada da manhã, costumávamos rezar durante uma hora, fazendo em círculo. À noite, às 20 horas, fechados nas celas, passávamos o tempo com orações pessoais…” O futuro continua carregado de nuvens negras. Arif sonha poder voltar a comprar um riquexó para voltar ao trabalho e assim sustentar a sua família. “Agradeço a Deus pelo dom da vida. Amo muito meus filhos, vivo para eles.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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