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RC AFRICANA: “Não abandonem África”, é o apelo dramático do Padre Gaetán Kabasha sobre a epidemia de Covid19 em mensagem à AIS

24 março 2020
RC AFRICANA: “Não abandonem África”, é o apelo dramático do Padre Gaetán Kabasha sobre a epidemia de Covid19 em mensagem à AIS
“Não abandonem África, continuem muito atentos e quando chegar a situação complicada a estes países, estejam dispostos a estender a mão para ajudar”, pede o Padre Gaetán Kabasha aos “homens de boa vontade” perante a evolução dramática que o Covid 19 pode vir a ter neste continente.

O sacerdote enviou uma mensagem vídeo para Lisboa, para a Fundação AIS, apelando à solidariedade de todos para com as vítimas desta pandemia. O Padre Gaetán – natural do Ruanda, ordenado sacerdote na República Centro-Africana e actualmente a viver em Madrid onde, como capelão no Hospital San Carlos, está a lidar diariamente com pacientes infectados com o coronavírus –, reconhece que o combate ao Covid19 está a ser muito difícil e fala da sua experiência em Espanha. “É muito complicado, há muitos doentes e muito stress.”

Essa experiência permite-lhe traçar um termo de comparação com o que poderá vir a ocorrer a curto prazo em África. E não esconde a sua preocupação. “Enquanto africano, também estou muito preocupado com os nossos países, porque se a pandemia não se consegue controlar nos países com muitos meios económicos e sanitários, não sei como se poderá controlar se chegar a África.”

Com os números a serem actualizados quase a todas as horas, é difícil perceber ainda a dimensão desta pandemia em África, havendo neste momento já mais de mil casos confirmados em cerca de quatro dezenas de países. Mas estes dados podem ser ilusórios. O Padre Gaetán sublinha isso na mensagem enviada para Lisboa.

“É verdade que são muito poucos casos e que ainda se pode controlar, mas como se viu aqui na Europa tudo começa com um caso e pouco a pouco vai crescendo, multiplicando-se até ficar descontrolado”, afirma o capelão do hospital madrileno. “É importante que os países africanos tomem já medidas antes que a situação seja muito difícil, porque realmente este vírus que se transmite de uma maneira incrível pode dar origem a uma catástrofe nos países africanos. Penso nos subúrbios das grandes capitais ou cidades de África se este vírus lá chegar…”

O Padre Gaetán, que esteve em Novembro passado em Portugal a convite da Fundação AIS, conhece como poucos o que significa o sofrimento, a perseguição e a vida até em campos de refugiados.

O conhecimento dessa realidade leva-o a olhar agora para o continente africano para concluir que o combate ao coronavírus poderá ser extremamente difícil. E explica porquê: “Porque se diz que as pessoas têm de se isolar e [em África] há pessoas que não têm onde se isolar. Há milhares de pessoas que vivem na rua, que vivem dia-a-dia e que conseguem algo para comer porque saem à rua. Se as autoridades se decidirem pelo isolamento, esses milhares de pessoas não vão saber onde se isolar e, se arranjarem algum lugar, não vão conseguir sobreviver.”

Além desta questão, fundamental, do plano económico, há ainda a considerar todas as deficiências ao nível hospitalar. “Os sistemas de saúde são muito deficitários nalguns países e será muito difícil dar assistência aos doentes. Sabe-se, por exemplo, que alguns países não têm sequer capacidade de analisar se se trata de coronavírus ou de gripe”, afirma ainda o Padre Gaetán Kabasha.

Perante esta realidade assustadora, resta a esperança de que os cientistas consigam descobrir a solução para a pandemia antes que ela atinja fortemente o continente africano. “Estamos a rezar muito para que esta situação à qual estou a assistir em Espanha, que está a acontecer em Itália e que pode acontecer noutros países da Europa, não chegue a África antes de se descobrir o remédio”, diz o Padre Gaetán Kabasha, deixando um apelo aos benfeitores da Fundação AIS em Portugal e em todo o mundo.

“A Ajuda à Igreja que Sofre estará sempre presente, muito próxima daqueles que mais precisam. Encorajamos-vos a todos a ajudar e a confiar que, com a graça de Deus, a nossa oração e também a nossa colaboração, o nosso trabalho, se consiga acabar com esta pandemia. Muito obrigado a todos.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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