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RDCONGO: Bispo de Butembo-Beni denuncia islamização do leste do país e fala na “expulsão” das populações locais

10 maio 2021
RDCONGO: Bispo de Butembo-Beni denuncia islamização do leste do país e fala na “expulsão” das populações locais
O Bispo Paluku Sikuli Melchisédech, da Diocese de Butembo-Beni, situada no Leste da República Democrática do Congo, denuncia à Fundação AIS a tentativa de islamização desta região e diz que grupos terroristas procuram também expulsar das suas terras as populações nativas. Estas afirmações ocorrem praticamente em simultâneo com a declaração pelo presidente do país, Félix Tshisekedi, do “estado de sítio” devido à escalada da violência nas províncias orientais de Ituri e Kivu do Norte.

A decisão governamental é o resultado de uma onda de violência no leste do país que causou já mais de 300 mortos desde o início do ano e veio agravar uma profunda crise humanitária. Em entrevista a Thomas Oswald, da Fundação AIS, D. Melchisédech referiu-se às manifestações por vezes violentas que têm ocorrido desde o início de Abril, e disse compreender o sentimento de insegurança das populações. “Não se pode pedir às pessoas que estão a ser abatidas como animais para se calarem e não fazerem nada. Têm todo o direito de exigir segurança, todo o direito de exigir liberdade. Exortamos apenas a que isso seja feito com respeito pela lei, de forma pacífica e sem violência.”

Segundo o prelado, os manifestantes protestam contra a ineficácia da missão de manutenção de paz das Nações Unidas e explica que a insegurança é um problema antigo, que até já existia há duas décadas quando foi nomeado bispo. “Quando me tornei bispo, há 20 anos, as pessoas já falavam da ‘balcanização’ da região. Só posso dizer que a expressão ainda hoje se aplica!” De facto, o processo de fragmentação desta região tão rica da República Democrática do Congo parece imparável e explicará, em parte, a violência brutal que tem atingido estas populações.

Segundo dados da Conferência Episcopal, calcula-se que haverá mais de 6 mil mortos em Beni desde 2013 e mais de 2 mil só em Bunia no ano passado. Diz o Bispo de Butembo-Beni que haverá “pelo menos 3 milhões de refugiados internos” e que cerca de “7.500 pessoas tenham sido raptadas”. É neste contexto de enorme violência e insegurança que o Bispo afirma à Fundação AIS que “há um grande esquema para islamizar ou expulsar as populações locais”.

O Bispo sustenta esta acusação com base em declarações de pessoas que foram capturadas pelos terroristas e que conseguiram escapar. “Todos aqueles que foram raptados por estes grupos terroristas e que escaparam relatam a mesma coisa. Foi-lhes dada a escolha entre a morte e a conversão ao Islão. São-lhes dados nomes muçulmanos para cimentar a sua identidade.” Além disso, acrescenta ainda o prelado, “mesmo aqueles que vivem na diocese e não passaram por esta experiência traumática”, são testemunhas de “que as mesquitas estão a surgir por todo o lado”.

As mesquitas, símbolo da presença islâmica, foram financiadas “generosamente”, segundo o Bispo de Butembo-Beni, por Mohammar Kadhafi. O facto de o ditador líbio ter sido derrubado em 2011 não significou o fim dessas construções. “Agora há outras fontes de financiamento que estão a pagar pela construção destes edifícios”, explica o prelado à Fundação AIS.

Por seu lado, acrescenta, os grupos terroristas encontram em “actividades muito lucrativas” as suas fontes de financiamento, referindo-se aos abundantes “recursos naturais que estão a ser exploradas de forma totalmente ilegal”. E dá um exemplo: existem refinarias de coltan no Ruanda mas este país não tem este mineral raro. O que acontece – explica – é que o coltan é extraído aqui na nossa região e exportado ilegalmente para o outro lado da fronteira. E não vejo sinais de que preocupação da parte do governo congolês…” Uma situação que só se pode traduzir por “fraqueza ou cumplicidade”.



A instabilidade que se vive nesta região foi também denunciada no passado mês de Abril por um missionário português. O padre comboniano Claudino Gomes relatou ao jornal digital ‘7margens’ que tem havido inúmeras manifestações de protesto pela ineficácia dos ‘capacetes azuis’ na protecção das populações e que já escutou palavras de ordem como “combonianos vão-se embora”…

Em Butembo existe uma casa onde vivem seis missionários desta congregação – dos quais três europeus, o Padre Caudino e dois italianos – e 19 seminaristas. O padre português contou que as instalações da comunidade chegaram a estar ameaçadas. “Somos um alvo…”, diz. “O facto de aqui vivermos três europeus, de não falarmos senão um suaíli ‘arranhado’ e desconhecermos a língua nande, tudo isso nos coloca em perigo”, diz ainda o Padre Claudino.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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