Fundação de Ajuda à Igreja que Sofre - Fundação AIS
Rua Professor Orlando Ribeiro, 5D 1600-076 Lisboa, Portugal
(+351) 217544000 apoio@fundacao-ais.pt Fundação AIS 1995
Lisboa
https://www.fundacao-ais.pt/uploads/seo/big_1585926010_1526_logo-jpg
15 10
505152304

Notícias

SÍRIA: "Há muita gente que só consegue comprar pão”, diz irmã portuguesa sobre aumento brutal do custo de vida

30 junho 2020
SÍRIA: "Há muita gente que só consegue comprar pão”, diz irmã portuguesa sobre aumento brutal do custo de vida
O custo de vida na Síria está a tornar-se proibitivo. As sanções económicas impostas ao regime sírio, a crise financeira no vizinho Líbano e a guerra que perdura há praticamente uma década estão a provocar uma escalada nos preços dos bens de primeira necessidade e a tornar, com isso, a vida dos sírios num tormento diário.

Hoje, 30 de Junho, dia em que será realizada a quarta Conferência da União Europeia e das Nações Unidas para apoiar o futuro da Síria, como o Papa Francisco recordou no passado domingo, Irmã Maria Lúcia Ferreira, que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na vila de Qara, faz um retrato dramático da vida neste país ainda em guerra. Diz a irmã que muitas famílias têm agora de escolher entre “pagar a renda da casa e ter alguma coisa de comer”.

Esta religiosa portuguesa, que pertence à Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia, afirma que “só o pão é barato porque o governo continua [a subsidiar o seu preço], para que os pobres ao menos possam comer”. E acrescenta, como exemplo do custo dos bens alimentares, que “mesmo o chá, tão típico na Síria, já quase não se pode comprar, nem o café…”.

Na expressão da Irmã Myri – como é normalmente conhecida esta religiosa que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na vila de Qara, perto do Líbano – “tudo se tornou tão caro, tão caro… os frutos, as verduras… tudo o que é verde, os legumes, é muito, muito caro”.

Por causa disso, acrescenta a irmã, “feliz é aquele que tem um jardim [pequeno pedaço de terra] para sobreviver e poder alimentar a sua família”. De facto, o custo de vida tem vindo a aumentar de forma imparável na Síria. No espaço de um ano os preços dos alimentos praticamente duplicaram e custam hoje cerca de 14 vezes mais do antes do início da guerra, em Março de 2011.

ACN Portugal · Aumento brutal do custo de vida na Síria | Irmã Myri 30.06.2020

A grave crise no vizinho Líbano onde, segundo estimativas do Banco Mundial, mais de metade da população vive já na pobreza e precisa de ajuda financeira para as necessidades diárias, está a agravar, e muito, esta realidade que se acentuou também por causa da pandemia do coronavírus.

A Irmã Maria Lúcia Ferreira dá um exemplo do aumento brutal dos preços. Uma instituição de solidariedade norte-americana costuma encomendar bonecos de ‘crochet’ às mulheres de Qara envolvidas num projecto de empreendedorismo que tem vindo a ser acarinhado pelo Mosteiro. Myri é, aliás, uma das religiosas mais activas na promoção deste projecto.

“A encomenda foi muito bem-vinda pois as senhoras têm necessidade, precisam de alimentar as suas famílias”, explica a irmã. “Desta vez, pediram 1.200 [bonecos de ‘crochet’]. Vamos ver como é que vamos fazer. No entanto, para comprar as lãs e só para dar uma ideia de como é que as coisas estão a evoluir aqui na Síria, normalmente comprava a lã a cerca de 3.000, 3.200, às vezes, já mais caro, a 3.500 libras sírias. Às vezes conseguia a 2.800, 2.900…

Neste Inverno, a lã estava a 5 mil libras sírias. Agora [em Junho], a primeira vez em que eu perguntei [pelo preço], estava a 8 mil. E acabei por ter de comprar a 10 mil libras… Só para terem uma ideia de como os preços estão a aumentar quase de dia para dia…”

A crise económica, de que fala a religiosa portuguesa espelha-se também na existência do chamado ‘mercado negro’. A subida dos preços é apenas um exemplo concreto de como a vida dos sírios se tem vindo a agravar nos últimos tempos.

“Há certamente muita gente neste momento que só consegue [comprar] pão porque, mesmo com prejuízo, o governo mantém-no barato para que ao menos as famílias possam ter alguma coisa que comer”, diz a Irmã Myri.

Sinal desta tragédia é o facto de também os preços dos arrendamentos das casas e dos quartos estar a subir bastante, o que coloca as famílias sírias num dilema quase impossível de resolver: “As rendas das casas também estão a aumentar bastante e as famílias acabam por ter de escolher entre pagar a renda da casa e ter onde viver e ter [alguma coisa] que comer”, diz a Irmã Maria Lúcia Ferreira.

No domingo passado, o Papa Francisco lembrou que hoje, terça-feira, 30 de junho, será realizada a quarta Conferência da União Europeia e das Nações Unidas para apoiar o futuro da Síria e da região. E, perante a situação extremamente difícil que se vive nesta zona do globo, especialmente a Síria e Líbano, o Santo Padre pede as orações de toda a comunidade cristã.

“Rezemos por este encontro importante, para que possa melhorar a situação dramática do povo sírio e dos povos vizinhos, especialmente do Líbano, no contexto de graves crises sócio-políticas e económicas que a pandemia tornou ainda mais difícil”, disse o Papa, pedindo ainda para que ninguém esqueça o sofrimento das crianças que passam fome: “Pensem que existem crianças com fome, que não têm comida! Por favor, que os líderes sejam capazes de fazer a paz”.

Face a esta situação dramática, a Fundação AIS decidiu, recorde-se, mobilizar os portugueses para uma campanha de ajuda directa às famílias cristãs que se encontram em maior sofrimento, nomeadamente por causa do Covid’19.

Esta campanha, que está a ter desde a primeira hora uma adesão extraordinária por parte dos benfeitores portugueses da Fundação AIS, procura beneficiar 20.550 famílias. No conjunto, calcula-se que vai abranger mais de 80 mil cristãos. Cada família irá receber uma ajuda de 25 euros que se destina à aquisição imediata de produtos alimentares mas também de higiene, absolutamente necessários para a contenção da pandemia do Covid’19.

Apoie uma família na Síria

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Deixar um comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Observatório do país

Os cookies ajudam-nos a oferecer os nossos serviços. Ao utilizar a nossa página, concorda com a nossa política de cookies.
Saiba Mais