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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança - Janeiro 2021

1 janeiro 2021
Sementes de Esperança - Janeiro 2021
MOÇAMBIQUE
A GUERRA SILENCIOSA


Cabo Delgado, situado no norte de Moçambique, há mais de três anos que é o palco de constantes ataques do auto-proclamado Estado Islâmico. Perante esta situação crítica D. Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, lança um apelo de ajuda, numa entrevista feita por Maria Lozano do Departamento de Comunicação da ACN Internacional.

Superfície 799.380 km2
População 28.751.000 habitantes
Religiões Cristãos: 53,2% | Religiões Tradicionais: 28,7% | Muçulmanos: 17,5 % | Outras: 0,6 %
Língua oficial Português


TÊM OCORRIDO VÁRIOS ATAQUES CONTRA AS ALDEIAS DA SUA DIOCESE, NO NORTE DO PAÍS, RECENTEMENTE…

Nos últimos meses, Mocímboa da Praia, mas também Quissanga e Muidumbe foram atacadas. Trata-se de três localidades importantes alvo de ataques. Muitas pessoas fugiram, as casas foram saqueadas... E no dia 7 de Abril, em Xitaxi, no distrito de Muidumbe, para nossa grande tristeza, 52 jovens foram massacrados porque se recusaram a ingressar nas fileiras dos rebeldes. Para nós, eles são verdadeiros mártires da paz.


OS ATENTADOS TERRORISTAS AUMENTARAM DESDE 2017 E MOÇAMBIQUE PASSOU DE UM PAÍS SEGURO A UM PAÍS CONSIDERADO DE RISCO POR PARTE DAS EMBAIXADAS…

Sim, li um relatório que mencionava 26 ataques no ano de 2020. Mas, para ser honesto, julgo que os números são mais elevados. Os últimos ataques terão sido reivindicados pelo auto-proclamado Estado Islâmico. A verdade é que não sabemos. Já não sabemos o que é que se esconde por trás disto tudo, mas calculamos que os recursos naturais são cobiçados. Há muitos interesses em causa e aqueles que financiam tudo isto descobriram um terreno favorável devido à pobreza e à falta de perspectivas relacionada com o desemprego dos jovens. Cabo Delgado foi sempre uma província muito pobre, abandonada por todos, incluindo as autoridades.




ESTES ATAQUES TÊM UMA COMPONENTE RELIGIOSA?

É difícil responder. Desde o início, as altas autoridades muçulmanas de Cabo Delgado e de todo o país demarcaram-se destes atentados e afirmaram nada ter a ver com isso. Há algumas semanas escreveram uma nova carta, a segunda, para se distanciarem. Eles sublinham nas duas declarações que o Islão é uma religião de paz e de compreensão mútua entre os povos e as religiões. Eles não desejam a violência. Não podemos dizer que estes ataques foram levados a cabo por grupos religiosos. Em Cabo Delgado e no resto de Moçambique nunca tivemos problemas inter-religiosos.


AS RELIGIOSAS E OS SACERDOTES NA REGIÃO ESTÃO EM PERIGO?

Temos religiosos, homens e mulheres, em toda essa região onde os ataques ocorreram. Os representantes das autoridades, tal como os professores e os profissionais de saúde, abandonaram a região porque os edifícios públicos foram atacados. Muitas ONG que trabalhavam no território também partiram porque estavam ameaçadas. Enquanto bispo diocesano, sou o responsável. Assim, pedi aos missionários que partissem porque o risco de ataques era imediato e eles eram os únicos que tinham permanecido. Quando as igrejas começaram a ser atacadas, a violência passou a ter uma componente religiosa. Tenho de os proteger, embora eles queiram regressar o mais rapidamente possível para servir o povo.



NA SUA MENSAGEM DE PÁSCOA DE 2020, O SANTO PADRE FALOU DE MOÇAMBIQUE. É UMA DAS POUCAS VOZES A TER QUEBRADO O SILÊNCIO…

Sim, após a Bênção Urbi et Orbi, o Santo Padre falou da situação mundial, da pandemia e dos diversos conflitos no mundo. Para nós, foi muito importante que ele tenha referido a crise humanitária em Cabo Delgado, porque existe uma certa “lei do segredo”.



A QUE SE REFERE QUANDO FALA EM “LEI DO SEGREDO”?

A situação é muito grave porque não podemos falar livremente. Alguns jornalistas do país foram detidos e muitos viram as suas máquinas fotográficas serem confiscadas. Um jornalista da rádio comunitária de Palma, Ibraimo Abu Mbaruco, está desaparecido desde o dia 7 de Abril de 2020. É importante que se saiba que isto se passa e que os organismos internacionais, como as Nações Unidas, a União Europeia e a União Africana, tomem iniciativas. As pessoas já sofreram muito aqui. Há centenas de mortos. Há milhares de pessoas que tiveram de abandonar as suas casas. Na nossa província há mais de 500 mil deslocados. É uma injustiça que brada aos céus. A população aqui é pobre e por causa desta guerra corre o risco de perder o pouco que tem. Peço a ajuda e a solidariedade para o meu povo, para que possa viver novamente em paz, como deseja e merece.



Oração
Para que Santa Maria, Mãe de Deus, cubra Moçambique com o seu manto e lhe conceda a paz duradoura, nós Te pedimos Senhor.



COMBATER POR OBRIGAÇÃO

“Muitos jovens estão nas forças de defesa por pura obrigação e, no momento dos ataques, muitos desertores fogem para a floresta com a população. Quase não têm preparação e não sabem como lidar com a situação. Tenho muita pena dos jovens que vão combater, porque muitos dos seus companheiros já perderam a vida.”
D. Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba

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