Fundação de Ajuda à Igreja que Sofre - Fundação AIS
Rua Professor Orlando Ribeiro, 5D 1600-076 Lisboa, Portugal
(+351) 217544000 apoio@fundacao-ais.pt Fundação AIS 1995
Lisboa
https://www.fundacao-ais.pt/uploads/seo/big_1585926010_1526_logo-jpg
15 10
505152304

Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Dezembro de 2021

1 dezembro 2021
Sementes de Esperança: Dezembro de 2021
TERRA SANTA
OS GUARDIÃES DOS LUGARES SANTOS


Há apenas 2% de cristãos na Terra Santa. Alguns permanecem por vocação ao serviço a esta terra, tornada santa pela morte e ressurreição do Senhor.


Superfície
PALESTINA: 6.020 km2
ISRAEL: 22.072 km2

População
PALESTINA: 5,3 milhões
ISRAEL: 8,7 milhões

Religião
PALETINA: Muçulmanos 81,3%; Judeus 12,7%; Agnósticos 5,1%; Cristãos 0,8%; Outros 0,1%
ISRAEL: Judeus 70,7%; Muçulmanos 20,8%; Agnósticos 5,2%; Cristãos 2%; Outras: 1,3%

Língua
PALESTINA: Árabe
ISRAEL: Hebraico e Árabe


Não, um árabe não é necessariamente muçulmano! Quando um cristão do Ocidente chega em peregrinação à Terra Santa, é por vezes surpreendido por encontrar um padre católico romano, árabe. Pergunta-lhe então como se converteu, convencido que o padre era, anteriormente muçulmano. A confusão e a proximidade entre árabe e muçulmano pode deixar muitos cristãos da Terra Santa desconfortáveis. O sentido estrito da palavra “árabe” significa pessoas que habitam ou são originárias da Península Arábica. E só isso. Assim sendo, as populações que se encontram na Terra Santa ou em países do Médio Oriente vão classificar-se designando-se de “não” árabes mas “falantes do árabe”. De facto, desde o princípio da era cristã que houve Árabes cristãos, muito antes do Islamismo. E durante a extensão muçulmana, as populações semitas da Síria, do Iraque, do Líbano e até no Egipto foram obrigadas a adoptar a língua árabe mesmo não se tornando muçulmanas.Assim, existem muitos semitas cristãos que falam árabe desde há muito tempo. Estes Cristãos que vivem na Terra Santa têm uma vocação que lhes é específica.



OS CRISTÃOS GUARDIÃES DOS LUGARES SANTOS
É certo que existem as instituições eclesiais que são guardiãs dos lugares santos. Mas o cristão comum, qualquer que seja a sua pertença a esta ou àquela Igreja, define-se como guardião dos Lugares Santos. Na sua vida do dia-a-dia, na expressão da sua fé, quer conservar os lugares que assistiram à Salvação.

Para além de serem seus proprietários, dão-lhes vida com as suas orações e os seus ritos. A sua presença é fundamental para a memória de que foi nesta terra que Cristo nasceu, sofreu, foi morto e ressuscitou para resgatar o homem. São herdeiros da vida destes lugares há mais de 2000 anos. Esta vocação é vivida pelos Cristãos de forma tanto comunitária como individual. Ao ponto de, mesmo aqueles que não frequentam muito a Igreja, sentirem esta vocação de guardiães como seu ADN, como sua identidade. É certo que varia a intensidade com que esta vocação é sentida.

Mas existem alguns que acolhem profundamente esta “missão particular de assegurar uma continuidade da primeira comunidade dos crentes em Jesus Cristo, Filho de Deus e Filho do Homem; e também de assegurar a presença de uma comunidade cristã viva e acolhedora nos lugares sagrados e à sua volta” diz-nos o Pe. Firas Abedrabbo, secretário particular do Patriarca Latino de Jerusalém.
“A missão é evidente, acrescenta, e a nós, cristãos locais, cabe-nos aceitá-la verdadeira e conscientemente nas nossas vidas. E vós [Ocidentais] fazeis bem quando no-lo lembrais graças também às vossas peregrinações que têm em conta esta comunidade local!...”


Oração
Para que os Cristãos da Terra Santa continuem sempre a ser defensores do património material e espiritual que herdaram, nós Te pedimos Senhor.



O APOIO NECESSÁRIO DO OCIDENTE
Por ocasião da Jornada da Paz para o Médio Oriente, o presidente executivo da AIS, Thomas Heine-Geldern, afirmou: “Cabe também a nós, Cristãos do Ocidente, decidir se dentro de 20, 50 ou 100 anos ainda existirão cristãos no Médio Oriente (…) As feridas foram também provocadas pela ignorância demasiado longa dos cristãos ocidentais que no mínimo não se interessaram mais do que marginalmente pela sorte das comunidades do Médio Oriente”. O Pe. Firas Abedrabbo clarificou: “É verdade que muitos cristãos do Ocidente contribuíram e ainda contribuem hoje para a manutenção da presença cristã local na Terra Santa (…) Contudo, é sempre importante encontrar novas formas e mais eficazes para ajudar a manter esta presença, em nome de toda a cristandade. O problema não é unicamente económico. O problema é essencialmente humanitário e político, e falo sobretudo da comunidade cristã na Palestina que é um território ocupado.

Como os seus compatriotas muçulmanos, os cristãos palestinianos suportam há décadas as consequências da ocupação de Israel que é injustificável (apesar de serem apresentadas razões para a justificar). Uma ocupação que controla todos os aspectos da vida dos Palestinianos (não só a terra). Esta opressão é uma das razões principais do sofrimento do povo Palestiniano em geral e dos cristãos palestinianos [em particular]. O resultado desta opressão no dia-a-dia e desde há décadas é um desejo de procurar uma vida mais digna noutros lugares”.


Oração
Para que os Cristãos do Ocidente sintam a responsabilidade de apoiar e nunca esquecer os seus irmãos da Terra Santa, nós Te pedimos Senhor.


OS CRISTÃOS E O SEU PAPEL DE COMUNICAR
Pode parecer surpreendente mas acontece na Terra Santa que alguns judeus, alguns muçulmanos e alguns cristãos se sentem, na verdade, ateus. O ateísmo é, portanto, uma realidade, não sendo contudo um conceito de organização social. As pessoas são definidas em primeiro lugar pela sua religião de nascença. E, neste caleidoscópio de Igrejas, o cristão – pela sua vocação – tem um papel importante nas relações entre os cidadãos israelitas judeus, cristãos e muçulmanos e os habitantes dos territórios palestinos cristãos e muçulmanos. No seu quotidiano, é levado permanentemente a comunicar com o outro, seja de uma confissão cristã diferente, seja judeu ou muçulmano. O cristão é como o tabuleiro de uma ponte, permanentemente na troca com o outro. A comunidade cristã local é pouco numerosa, mas muito empenhada na sociedade onde vive, seja israelita ou palestiniana. Não só através da palavra, mas sobretudo pelo estilo de vida diferente, o cristão é testemunha dos valores do Evangelho, que devem ser dirigidos também aos não cristãos. Seja qual for a reacção que pode suscitar este testemunho cristão, o Espírito Santo pode agir e operar uma mudança nos corações. “Os cristãos procuram a verdade e, naturalmente, escolhem o diálogo”, diz Maria-Armelle Beaulieu, redactora chefe da revista da Terra Santa.


Oração
Para que os Cristãos na Terra Santa sejam sempre pontes de diálogo, harmonia e entendimento, nós Te pedimos Senhor.




O ECUMENISMO MUITO OBJECTIVO DOS CRISTÃOS
Recorrem a este hábito do diálogo, intrínseco na sua vida quotidiana pela mistura permanente das diferentes Igrejas cristãs. Na Terra Santa, o ecumenismo é, em primeiro lugar, uma arte de viver e incarna-se nos aspectos mais concretos da vida. A preocupação teológica não é o principal. “Aqui não existem avanços teológicos do ecumenismo e nunca haverá”, afirma Marie-Armelle Beaulieu, “pela simples razão que nenhuma das 13 Igrejas aqui presentes é decisiva. Para os Anglicanos, a decisão está em Inglaterra, para os Católicos Romanos, a decisão está em Roma, para os Coptas, a decisão está no Cairo, etc. Cada Igreja depende de uma cabeça que está fora, com a excepção da Igreja Grega Ortodoxa que é autocéfala, apesar de muito próxima da Igreja de Atenas. Mesmo que aqui existissem avanços teológicos, não seriam validados pelas mentes que estão noutro lugar”. O que leva os responsáveis religiosos cristão a reunir são, sobretudo, assuntos de trabalho “para saber qual o estado das relações com o Estado de Israel, o Estado da Palestina, o que fazer para obter um visto em tempo de pandemia, como regular um problema específico com a Câmara de Jerusalém, etc.”. Nada de teológico. No entanto, em tempos litúrgicos fortes, há louvores – quer dizer, momentos de acção de graças – com troca de presentes entre as Igrejas.

O ecumenismo na Terra Santa é mais vivido que pensado. Os números falam por si. Em Jerusalém há 10 mil cristãos. Cinco mil homens e cinco mil mulheres, repartidos entre as 13 Igrejas cristãs. Uma jovem que se queira casar não pode ser exigente em relação ao rito do seu noivo. Se ela pertence ao rito latino e casa com um luterano, o casal será registado como sendo de rito luterano e os filhos, de acordo com uma decisão das Igrejas locais, serão baptizados pelo rito do pai. Mas as crianças serão embaladas ao som da “Avé Maria” cantada pela mãe… “É assim que, na Terra Santa, temos protestantes muito devotos ao culto mariano!”, ironiza Marie-Armelle Beaulieu. De qualquer maneira, o catecismo é comum a todas as Igrejas.

A percentagem de Cristãos, 2% da população, é realmente reduzida. Será preocupante quando pensamos que no princípio só havia 12 apóstolos? Hoje, a contribuição dos Cristãos na sociedade é ao contrário, muito elevada, se tivermos em consideração o número de escolas, de hospitais e de serviços diversos e variados que as comunidades das 13Igrejas reunidas oferecem aos seus irmãos. Sem esquecer o papel que o Ocidente pode ter na manutenção deste dinamismo.

Oração
Para que o ecumenismo vivido na Terra Santa seja fonte de inspiração e reflexão para as Igrejas no Ocidente, nós Te pedimos Senhor.

DIOCESE E PATRIARCAS
A Diocese de Jerusalém estende-se por 4 países: Israel, Palestina (Cisjordânia e Gaza), Jordânia e Chipre. Além disso, desde os primeiros séculos, havia cinco patriarcados: Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Roma e Jerusalém. O Patriarcado designa uma Igreja fundada por um dos apóstolos. Segundo a tradição, Jerusalém foi fundada pelo apóstolo São Tiago. Fala-se do patriarcado “latino”, porque no tempo das cruzadas já não havia um bispo oriental, o que levou os cruzados a instalar um bispo latino a que chamaram “patriarca”. Desaparecido no fim das cruzadas, o Patriarca latino foi restabelecido no séc. XIX. Os franciscanos asseguraram a presença latina entretanto. Só existe um outro Patriarca, o dos Gregos ortodoxos. As outras Igrejas têm vigários patriarcais ou exarcas.

TREZE IGREJAS REPRESENTADAS NA TERRA SANTA
• Os Gregos ortodoxos e os Gregos católicos cuja liturgia é tradicionalmente em grego.
• Os Arménios apostólicos (não ligados a Roma) e os Arménios católicos, cuja língua litúrgica é o arménio.
• Os Siríacos ortodoxos e os Siríacos católicos cuja língua litúrgica é o siríaco.
• Os Maronitas que são católicos e cuja língua litúrgica tradicional é o árabe e o aramaico.
• A Igreja etíope Tewahedo que é ortodoxa.
• Os Coptas ortodoxos cuja língua é o copta.
• As Igrejas saídas das reformas: Luteranos e Anglicanos
• Os Caldeus católicos
• Os Latinos

Comentários

Deixar um comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.
Os cookies ajudam-nos a oferecer os nossos serviços. Ao utilizar a nossa página, concorda com a nossa política de cookies.
Saiba Mais