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Voz da Verdade

LÍBANO: "Não tenho ninguém"

29 novembro 2020
LÍBANO: "Não tenho ninguém"
Líbano: A luta diária de Georgette para alimentar os seus três netos

 “Não tenho ninguém…”

Sozinha, numa casa despida de conforto, Georgette vive uma preocupação diária: alimentar os três pequenos netos que estão à sua guarda. É uma tarefa quase impossível num país que está mergulhado numa das mais profundas crises da sua história. Georgette diz que só conta com a ajuda de Deus e da Fundação AIS. Ela é exemplo, no meio da tragédia em que se transformou o Líbano, de que a solidariedade pode fazer autênticos milagres…

Beirute já foi considerada a “Paris do Médio Oriente”. A memória dos tempos de ‘glamour’ torna-se hoje ainda mais dolorosa com a profunda crise que o Líbano está a atravessar. A crise financeira, com os bancos no limiar da falência, o desemprego brutal e a falta de perspectivas de futuro estão a conduzir este país do Médio Oriente para o abismo. Ninguém diria que o Líbano, que soube reerguer-se do drama da guerra civil, iria cair outra vez na armadilha da pobreza, da miséria, do desespero. A luta pela sobrevivência amargura as pessoas. Principalmente quando elas têm à sua guarda filhos pequenos. Ou netos, como é o caso de Georgette. Sozinha, numa casa despida de conforto, ela é um retrato vivo do desespero que atinge o Líbano.


“Parecia uma bomba atómica…”
A crise já era profunda e agravou-se brutalmente com a explosão que atingiu o porto de Beirute no início do mês de Agosto. De súbito, toda a área ficou destruída, reduzida a escombros. Bairros inteiros atingidos, casas derrubadas, escombros em todo o lado… num instante, a cidade ficou transformada num cenário de guerra, sobressaltando a memória de um tempo que todos pensavam ultrapassado. Num instante, quando o ar se encheu com a explosão e o vento varreu tudo à sua frente, a cidade tumultuou-se. Pessoas feridas, gente a correr de um lado para o outro, gritos de socorro. Num instante, a crise que já abalava o Líbano tornou-se num pesadelo quase impossível de ultrapassar. O padre Raymond Abdo explicou à Fundação AIS que a “explosão parecia uma bomba atómica, com fumo vermelho por todo o lado”. Por todo o lado só se viam pessoas perdidas, em lágrimas, num ambiente de destruição e morte. A explosão causou mais de 180 mortos, mais de 6500 feridos e deixou quase 300 mil pessoas com as casas de alguma forma danificadas.


“Vivo numa zona pobre…”

A vida já estava difícil para Georgette. A crise que atingiu a cidade de Beirute com a explosão veio agravar ainda mais a sua precariedade. Ela própria conta à Fundação AIS como tudo se agravou. “Vivo numa zona pobre e a nossa situação é má, especialmente neste tempo após a explosão. Vivo com os meus três netos. Vivemos sozinhos nesta casa. Sou responsável por eles e não tenho ninguém para me ajudar, além de Deus e dos benfeitores da Fundação AIS…” Georgette recebe os cabazes alimentares distribuídos junto da comunidade graças à generosidade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre. São coisas básicas, que ela arruma nas prateleiras quase vazias da sua cozinha. “Fiquei tão feliz ao receber este cabaz porque serei capaz de alimentar os meus netos durante um mês”, diz ela a Maria Lozano, da equipa da Fundação AIS que esteve em Beirute para avaliar a dimensão dos estragos causados pela explosão de Agosto.


Fé inabalável
Para Georgette, mais importante do que os bens alimentares que foi buscar num carrinho com Charbel, um dos netos, com apenas 15 meses, é a certeza de que não está sozinha. Georgette é parca em palavras. Esconde-se atrás do silêncio para não falar no que lhe é mais doloroso. O marido morreu há sete anos, num acidente de trânsito. A foto, em cima da porta da sala, é tudo o que lhe resta da sua companhia. Tiveram dois filhos. Um rapaz e uma rapariga. Ele não pode cuidar dos meninos pois está noutra cidade, temporariamente, e a outra filha, com um problema de saúde mental, está internada. Ali, em Beirute, cidade que agora procura reerguer-se dos escombros causados pela explosão, há muitas pessoas como Georgette. São pessoas de mãos vazias sem perspectivas de futuro, derrotadas pela crise económica que atacou o país como uma doença incurável e brutal. Sobra a esperança num tempo melhor, uma esperança alimentada sempre pela fé. “Sinto que não estou só e isso é mais importante do que o cabaz alimentar… haver pessoas preocupadas connosco”, diz Georgette, perante as câmaras de filmar da Fundação AIS. “Agradeço a Deus todos os dias. Ele está sempre a guiar-me e à minha família, a enviar pessoas boas para nos ajudarem nestes tempos difíceis.” A vida está dura para Georgette tal como para a esmagadora maioria dos libaneses. Mas, por mais difícil que seja esta provação, a fé será sempre uma certeza e um refúgio. “A situação dos Cristãos no Líbano é instável mas Jesus está sempre connosco e ninguém nos pode tirar daqui.” Palavra de Georgette!

 
texto por Paulo Aido,
Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
(Voz da Verdade 29.11.2020)

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